Resenha do filme: Juventude Transviada, 1955

Acada de 1950 foi de extrema importância para a história do século XX, especialmente em termos culturais. Foi nessa época que o abismo entre gerações se tornou claro, causando profundas mudanças na sociedade ocidental. Os jovens passaram a ganhar poder econômico, social e, consequentemente, cultural, o que culminou nacada de 1960. O mundo passou a perceber a diferença gritante entre pais e filhos, entre os jovens e os meia-idade e entre a juventude e os velhos. Estas duas gerações já não conseguiam mais se comunicar e pareciam estar completamente incomunicáveis.

Juventude Transviada possui um significado maior do que um simples filme. É um símbolo, uma declaração contundente de que o cinema é, sim, uma expressão artística. Na época, ainda havia controvérsias sobre se o cinema era realmente uma forma digna de arte ou apenas uma fabricação de produtos sem relevância artística. Essa obra veio para acabar com essa incerteza, demonstrando que o cinema atende à função social da arte.

O filme de Nicholas Ray, que foi elogiado pelos críticos da Nouvelle Vague, mostrou que Hollywood estava bem próximo das questões sociais da época. Ray percebeu a crescente presença de gangues juvenis em Los Angeles e pensou em aproveitar o movimento para criar um longa-metragem. Por trás daquela revolta juvenil, porém, havia um movimento mais profundo que estava mudando a paisagem: a juventude começava a se emancipar e a ter sua própria voz, diferentemente das gerações anteriores.

A morte trágica de James Dean contribuiu para tornar Juventude Transviada uma obra-prima da cultura pop. O ator, que morreu num acidente de carro um mês antes da estreia do filme, foi a encarnação ideal do jovem rebelde que acreditava na filosofia do "viva hoje sem pensar em amanhã". Sua morte precoce, somada à sua interpretação magistral, criou um mito do século XX.
O fato de outros ícones da juventude, como Marlon Brando e Elvis Presley, surgirem na mesma época reforçou a imagem de Dean como um símbolo de rebeldia eterna. Ao longo dos anos, Juventude Transviada apenas consolidou este mito, tornando-se um marco da cultura pop.


Nicholas Ray fez de "Juventude Transviada" uma obra que captura muito bem o espírito rebelde dos anos 50, concentrando toda a ação dramática em um período de apenas 24 horas. A abertura do filme foi especialmente criada para apresentar os três personagens principais, que ainda não se conheciam, e que foram detidos na Delegacia de Menores de Los Angeles: Jim Stark (James Dean) por embriaguez, Judy (Natalie Wood) por brigar com o pai, e Plato (Sal Mineo), por ter atirado em cães. A câmera se detém por alguns minutos em cada um, destacando a semelhança entre eles: todos estão envoltos em problemas de relacionamento com os pais. O desenrolar da ação fará com que os três se conheçam e vivam uma aventura trágica, com um clímax no cenário espetacular de uma mansão abandonada. O filme ganhou fama, pois tornou-se um símbolo da rebeldia juvenil e da luta contra as instituições familiares e escolares.

Título Original: Rebel without a case
Ano de lançamento (EUA): 1955
Tempo de Duração: 111 minutos
Direção: Nicholas Ray
Elenco: James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo, Jim Backus

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