Resenha: Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto


Publicado pela primeira vez há sessenta anos, o poema mais conhecido de João Cabral mudou os rumos da poesia no Brasil.

Um dos poemas mais populares de João Cabral de Melo Neto, "Morte e vida severina" dá voz aos retirantes nordestinos e ao rio Capibaripe, em cenas fortes e contundentes. Clara crítica social, o autor descreve a viagem de um sertanejo chamado Severino, que sai de sua terra natal em busca de melhores condições de vida. Durante a jornada, Severino se encontra tantas vezes com a Morte que, desiludido e impotente, percebe que a luta é inútil ― como ele, tantos outros severinos padecem com a miséria e o abandono. Apenas o nascimento de um bebê, uma criança-severina, renova as esperanças e o espírito cansado daquele que já não tinha motivos para continuar a viver."Morte e Vida Severina", escrita entre 1954 e 1955, é uma obra-prima do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Este poema dramático é um auto de Natal com temática regionalista que retrata a trajetória de Severino, um retirante nordestino que deixa o sertão em direção ao litoral em busca de melhores condições de vida.

RESENHA

A obra apresenta o percurso de morte e vida do retirante Severino, que é um entre muitos outros, com o mesmo nome, a mesma cabeça grande e o mesmo destino trágico do sertão. O poema pode ser dividido em duas partes: a primeira com o seu caminho até o Recife e a segunda a sua chegada e estadia na capital pernambucana.

A primeira parte da narrativa é marcada pela presença constante da morte, no meio da paisagem agreste e do chão duro de pedra. Severino encontra no caminho outros nordestinos que, como ele, passam pelas privações impostas ao sertão. A aridez da terra e as injustiças contra o povo são percebidas em medidas nada sutis do autor.

Conforme Severino se aproxima do litoral, a terra começa a ficar mais mole, mas a morte não abranda. O solo se torna mais fértil e o canavial é grande, mas, mesmo em meio à abundância, a paisagem é vazia de pessoas. Severino pensa em suicídio jogando-se do Rio Capibaribe, mas é contido pelo carpinteiro José, que fala do nascimento do filho.

"Morte e Vida Severina" é uma obra que se mostra extremamente importante e, infelizmente, muito atual, quando se pensa na forma como o Estado ainda mantém diversas regiões do país em estado de esquecimento e negligência. A obra é, acima de tudo, uma ode ao pessimismo, aos dramas humanos e à indiscutível capacidade de adaptação dos retirantes nordestinos. O poema choca pelo realismo demonstrado na universalidade da condição miserável do retirante, desbancando a identidade pessoal.Enredo

A obra retrata a trajetória de Severino, um retirante que deixa o sertão nordestino em direção ao litoral em busca de melhores condições de vida. Severino encontra no caminho outros nordestinos que, como ele, passam pelas privações impostas ao sertão. A aridez da terra e as injustiças contra o povo são percebidas em medidas nada sutis do autor. Assim, ele retrata o enterro de um homem assassinado a mando de latifundiários. Assiste a muitas mortes e, de tanto vagar, termina por descobrir que é justamente ela, a morte, a maior empregadora do sertão.

Influências e Inspirações

Inspirado nos autos pastoris medievais ibéricos, “Morte e Vida Severina” também se inspira na cultura popular nordestina. A obra é caracterizada por uma forte crítica social e também por uma construção essencialmente dramática. O autor transformou em poesia a condição do retirante nordestino, sua morte social e miséria.

Importância Histórica

“Morte e Vida Severina” é muito importante para a terceira fase do modernismo brasileiro (geração de 45), ao abordar a vida miserável dos nordestinos a sofrerem com a seca e com o descaso dos governantes. A obra é, acima de tudo, uma ode ao pessimismo, aos dramas humanos e à indiscutível capacidade de adaptação dos retirantes nordestinos.

Curiosidades

A obra foi adaptada para o teatro, a televisão, o cinema e transformado em desenho animado. A cantora e atriz Elba Ramalho fez uma participação em "Morte e Vida Severina". Além disso, a obra é marcada pela constante repetição de versos, uma ferramenta muito usada por João Cabral.

Interpretação

“Morte e Vida Severina” é um poema trágico que nos apresenta um auto de natal pernambucano. O herói Severino é um retirante que foge da seca e da fome, porém, só encontra a morte em sua fuga. Até que ele presencia o nascimento de um filho de retirantes, severinos iguais a ele. A renovação da vida é uma indicação clara ao nascimento de Jesus, também filho de um carpinteiro e alvo das expectativas para remissão dos pecados.

O AUTOR

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um poeta e diplomata brasileiro autor da obra Morte e Vida Severina, poema dramático que o consagrou. Tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras. 

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