Resenha: Noite na taverna, de Álvares de Azevedo

Foto: Arte gráfica


Proporciona ao leitor uma viagem ao mundo fantástico da melancolia e morbidez que caracterizam a época em que viveu Álvares de Azevedo. Numa taverna, um grupo de conhecidos reúne-se para espantar o tédio com o vinho nos lábios e contos macabros afluindo da mente.


RESENHA

Noite na Taverna é uma narrativa construída em sete partes, que conta sobre violência, corrupção, incesto, adultério, necrofilia, traição, antropofagia, e assassinatos por vingança ou amor. Os personagens principais são Solfieri, A mulher, Bertram, Ângela, a mulher do comandante, o comandante, Gennaro, Godofredo Walsh, Laura, Nauza, Claudius Hermann, a Duquesa Eleonora, o Duque Maffio, Johann, Artur ou Arnold, Geórgia e O Irmão.

O livro é narrado inicialmente em terceira pessoa, apresentando os personagens na taverna, e depois se torna em primeira pessoa, com cada personagem contando sua história. Uma taverna é um lugar de encontros onde as pessoas vão beber e comer. O tempo dentro da taverna segue uma ordem cronológica, mas quando os personagens começam a contar suas histórias, o tempo passa a ser psicológico.

A primeira parte do livro apresenta o ambiente da taverna, a roda de bebedeira, o clima vampiresco e pesado. Solfieri conta sua história, Bertram relata sua paixão por Ângela e Gennaro descreve seu envolvimento com Laura. Claudius Hermann expõe suas loucuras e orgias, e a narrativa segue com outros personagens como a Duquesa Eleonora e o duque Maffio, até culminar em um desfecho trágico.

Álvares de Azevedo inscreve sua obra na tradição do romance gótico. Se pode avaliar como provenientes do romance gótico inglês, não apenas vários dos temas de Azevedo, como incesto e assassinato entre familiares, mas também o gosto pelos incidentes sensacionais - raptos, fugas, aventuras em rápida sucessão, etc. A imaginação romântica de Álvares de Azevedo marca de forma exuberante os contos do livro, narrados num estilo repleto de adjetivos e reticências, apresentando características como egocentrismo, dualidade, auto ironia, pessimismo e humor negro, ou seja, como um legítimo representante do ultrarromantismo.

A primeira impressão do livro é que seriam tediosos diálogos de bêbados, onde tratariam de assuntos não muito interessantes. No entanto, o que se obteve foi uma fantástica dinâmica entre o ambiente real da taverna e o psicológico narrado pelos jovens amigos, com histórias envolventes de suspense e surpresas que prendem o leitor a um universo totalmente diferente.

Apesar de terem histórias que prendem o leitor num suspense, elas acabam passando uma visão de narradores sendo pessoas perigosas, assassinos sem nenhum escrúpulo, pois todas são trágicas e impregnadas de vícios, de crimes hediondos que vão de assassinatos a incestos. O que chama a atenção é que nenhum foi preso ou pego para pagar por seus atos horríveis. Um ponto positivo e muito bonito da novela é a valorização do amor, onde se têm belas declarações e poemas de amor, com grande envolvimento dos personagens. No entanto, o lado negativo mostra um amor acima de tudo, das regras, conceitos sociais e religiosos, não importando as consequências que esse amor trará, valorizando assim o momento do agora e do prazer, o que leva a frustrações, decepções, crimes e amores pervertidos. Com isso, trazendo uma desvalorização da vida, podendo assim matar e morrer, pois a vida não faria mais sentido sem a mulher amada. Álvares de Azevedo inscreve sua obra na tradição do romance gótico. Pode-se avaliar como provenientes do romance gótico inglês, não apenas vários dos temas de Azevedo, como incesto e assassinato entre familiares, mas também o gosto pelos incidentes sensacionais - raptos, fugas, aventuras em rápida sucessão, etc. Apresentando características como egocentrismo, dualidade, auto ironia, pessimismo e humor negro, ou seja, como um legítimo representante do ultrarromantismo.

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