10 escritoras negras que você precisa conhecer

Por muito tempo, o termo pertenceu aos homens brancos: eles tinham o poder de definir e descrever o mundo, a favor ou contra.

A bibliografia é fruto de uma história da masculinidade e do branco dominando todas as esferas culturais, eliminando discursos associados a outras identidades.

Nas últimas décadas, estudantes e teóricos começaram a perceber que precisamos de mais ideias, formas diferentes de viver e escrever. Precisamos aprender com as mulheres negras, conhecer seu trabalho e suas lutas, lutar pela paz e apagar a história.

Conheça agora uma lista de mulheres que lutaram através da escrita contra o patriarcado e ascensão dos problemas sociais ligados ao racismo, preconceito e ausência de direitos das mulheres.


10. Conceição Evaristo

"Conceição Evaristo é um grande expoente da literatura contemporânea, romancista, poeta e contista, homenageada como Personalidade Literária do Ano pelo Prêmio Jabuti 2019 e vencedora do Prêmio Jabuti 2015. Além disso, Conceição Evaristo também é pesquisadora na área de literatura comparada e trabalhou como professora na rede pública fluminense.

Suas obras, cuja matéria-prima literária é a vivência das mulheres negras – suas principais protagonistas – são repletas de reflexões acerca das profundas desigualdades raciais brasileiras. Misturando realidade e ficção, seus textos são valorosos retratos do cotidiano, instrumentos de denúncia das opressões raciais e de gênero, mas também se voltam para a recuperação da ancestralidade da negritude brasileira, propositalmente apagada pelos portugueses durante os séculos em que perdurou o tráfico escravista."

9. Djamila Ribeiro

Djamila Taís Ribeiro dos Santos é uma importante voz contemporânea em defesa dos negros e das mulheres. 

Filósofa, ativista social, professora e escritora, Djamila corajosamente denuncia a violência e a desigualdade social - principalmente contra negros e mulheres - tão características da sociedade brasileira.

O seu livro Pequeno manual antirracista, que trata do racismo estrutural arraigado no Brasil, recebeu o prêmio Jabuti.

A ativista nasceu em Santos, São Paulo, no dia 1 de agosto de 1980

8. Sueli Carneiro

Filósofa, escritora e ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro, Aparecida Sueli Carneiro Jacoel nasceu em São Paulo em 1950. É Doutora em Filosofia pela USP e fundadora do GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra, sendo considerada uma das mais relevantes pensadoras do feminismo negro no Brasil.

E1983, durante o longo processo de redemocratização do país, o governo do Estado de São Paulo criou o Conselho Estadual da Condição Feminina, porém sem nenhuma negra dentre as trinta e duas componentes. Sueli Carneiro foi uma das lideranças do movimento que se engajou na campanha da radialista Marta Arruda pela abertura de espaço no Conselho para este segmento, campanha que logrou êxito. 

Em 1988, a autora fundou o GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista independente de São Paulo. Meses depois, foi convidada para integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina, em Brasília. Criou o único programa brasileiro de orientação na área de saúde específico para mulheres negras. Semanalmente mais de trinta integrantes do chamado “segundo sexo” são atendidas por psicólogos e assistentes sociais e participam de palestras sobre sexualidade, contracepção, saúde física e mental na sede do Instituto.

Em 1992, atendendo ao apelo por segurança de um grupo de músicos da periferia paulista, vítimas frequentes de agressão policial, decidiu criar o Projeto Rappers, pelo qual os jovens são agentes de denúncia e também multiplicadores da consciência de cidadania entre os demais moradores, sobretudo desta mesma faixa etária. 

Em 2009, Sueli Carneiro produziu o estudo “Mulheres negras e poder: um ensaio sobre a ausência”, como forma de denúncia da hegemonia masculina e branca nas diferentes esferas de poder. A autora não tratava apenas da ausência pela baixa representação, falava sobre aquelas mulheres negras que, mesmo presentes na institucionalidade, foram prejudicadas por questões advindas das discriminações de raça e de gênero. A ex-ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro, e a atual deputada federal Benedita da Silva estavam entre elas. 

7.Bell Hooks

bell hooks (1952-2021) foi uma pensadora, professora, escritora e ativista negra norte-americana de grande importância, principalmente para o movimento antirracista e feminista.

Batizada com o nome de Gloria Jean Watkins, nasceu em Hopkinsville, ao sul dos EUA em 25 de setembro de 1952.

Com uma longa trajetória acadêmica, bell escreveu e publicou mais de 30 livros, em que apresenta sua visão de mundo empática e de resistência. 

Os temas que defendia em sua obra são a luta contra o racismo, a importância do amor, a desigualdade social e de gênero e a crítica ao sistema capitalista.

6.Ana Maria Gonçalves

Ana Maria Gonçalves nasceu em 1970 em Ibiá, Minas Gerais. Publicitária por formação, residiu em São Paulo por treze anos até se cansar do ritmo intenso da cidade e da profissão. Em viagem à Bahia, encantou-se com a Ilha de Itaparica, onde fixou moradia por cinco anos e descobriu sua veia de ficcionista, passando a se dedicar integralmente à literatura e ao multifacetado universo cultural da diáspora africana nas Américas. Sua estreia no romance se dá em 2002, com a publicação de Ao lado e à margem do que sentes por mim – “livro terno, íntimo, vivido e escrito em Itaparica”, segundo o depoimento de Millor Fernandes. O texto teve circulação restrita, em primorosa edição artesanal.

Em 2006, a autora torna-se conhecida em todo o país com o lançamento de Um defeito de cor, narrativa monumental de 952 páginas. O romance encena em primeira pessoa a trajetória de Kehinde, nascida no Benin (atual Daomé), desde o instante em que é escravizada, aos oito anos, até seu retorno à África, décadas mais tarde, como mulher livre, porém sem o filho, vendido pelo próprio pai a fim de saldar uma dívida de jogo.

O texto dialoga com o modelo pós-moderno da metaficção historiográfica e remete às biografias de Luiza Mahin – celebrada heroína do Levante dos Malês, ocorrido em Salvador em 1835 – e do poeta Luiz Gama – líder abolicionista e um dos precursores da literatura negra no Brasil, também vendido como escravo pelo próprio pai. Um defeito de cor conquistou o importante Prêmio Casa de Las Américas de 2006 como melhor romance do ano.

Após residir alguns anos em New Orleans, nos Estados Unidos, Ana Maria Gonçalves retornou ao Brasil em 2014, fixando-se novamente em Salvador. Mesmo fora do país, esteve sempre presente e atuante nos debates públicos envolvendo a questão étnica no Brasil. Por ocasião da denúncia de racismo no livro As caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, produziu diversos artigos sobre o tema e manteve acesa a polêmica, que envolveu diversos intelectuais, entre eles o cartunista Ziraldo.

Mais tarde, quando das reações a um comercial de televisão da Caixa Econômica Federal, em que a representação de Machado de Assis era feita por um ator branco, novamente a escritora veio a público e se uniu aos protestos que redundaram num pedido de desculpas da CEF e na produção de outra peça, agora com um ator negro.

Dotada de aguçada visão crítica quanto às relações sociais vigentes e solidária com os estratos subalternizados da população, Ana Maria Gonçalves vem participando de inúmeros debates no Brasil e no exterior. Além disso, faz da Internet e das redes sociais um importante meio para trazer a público seus questionamentos em textos marcados por poderosa argumentação. Seu projeto literário não abdica, pois, de a todo instante provocar a reflexão do leitor quanto às condições históricas que levam à permanência da desigualdade, do racismo e de demais formas de discriminação. Entre outros projetos, finaliza no momento romance voltado para o público juvenil, mas com a mesma perspectiva crítica de nossas mazelas sociais que vem se tornando a marca registrada de seus escritos.

5. Angela Davis

"Angela Yvone Davis nasceu no dia 26 de janeiro de 1944, na cidade de Birmingham, Alabama, nos Estados Unidos. Sua cidade sofria, na época de seu nascimento, com a política de segregação racial implantada na maioria dos estados do sul dos Estados Unidos.

"Davis vivenciou desde cedo o racismo, vendo as ações brutais de uma das organizações mais populares do Alabama na época, a Ku Klux Klan. Além da política oficial de segregação, que não permitia que a população negra tivesse o reconhecimento de seus direitos civis e separava os espaços públicos para negros e brancos, Angela Davis vivenciou atos de barbárie promovidos por brancos contra os negros. Eram corriqueiros os linchamentos de negros e o incêndio e explosão criminosos de casas e igrejas nos bairros habitados por negros.

"Na adolescência, Davis organizou um grupo de estudos sobre as questões raciais. O seu grupo foi descoberto, perseguido e proibido pela polícia. Após concluir os estudos básicos, aos 19 anos de idade, Davis mudou-se para o estado de Massachusetts, no norte dos Estados Unidos, para estudar na Universidade de Brandeis. Apesar de o racismo ser um fenômeno presente em todo lugar, os estados do norte dos Estados Unidos estavam muito à frente em questões raciais, não havendo, por exemplo, política de segregação racial.

4. Mel Duarte

Mel Duarte nasceu em São Paulo em 1988, é escritora, poeta, slammer e produtora cultural. Começou a escrever aos oito anos de idade e iniciou sua atuação no mundo literário participando de saraus em sua cidade no ano de 2006. É graduada em Comunicação Social e já atuou na área antes de se dedicar completamente à vida de escritora.

Em 2013, publica seu primeiro livro, Fragmentos Dispersos, reunindo poemas de grande intensidade. Três anos mais tarde, vem a público seu segundo trabalho, Negra, nua, crua, livro de leitura indicada pela newsletter literafro novidades, sendo até hoje umas das resenhas mais acessadas do portal.

Em 2016 foi destaque no sarau de abertura da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty – e foi a primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam (campeonato internacional de poesia) que integra a programação da FLUP – Festa Literária das Periferias – no Rio de Janeiro. Em 2017, foi convidada a representar a literatura brasileira no Festival de Literatura Luso-Afro-Brasileira (Festilab Taag) em Luanda, Angola.

Na publicidade, já integrou o casting de campanhas como #VaiGarota, do Itaú (2018), Olla (2017), Natura (2017), Fundação Telefônica (2016). A escritora também já esteve no TED x Talks em 2016 e 2017.

Em 2018, seu livro Negra Nua Crua foi publicado na Espanha, com o título Negra Desnuda Cruda.

Atualmente Mel Duarte é uma das organizadoras da edição paulista do “Slam das Minas”, um slam voltado para o gênero feminino e durante seis anos integrou o coletivo “Poetas Ambulantes”, que distribui e declama poesias dentro dos transportes públicos.

Seus poemas buscam a representação da mulher negra para além dos estereótipos. Mel Duarte exprime em seus versos as dores, vivências, processos de empoderamento feminino e de aceitação estética vividos no cotidiano. Através de seu ponto de vista, traz a voz forte e revolucionária da mulher negra dentro da poesia marginal e da literatura afro-brasileira.

3. Jarid Arraes

JARID ARRAES nasceu em Juazeiro do Norte, na região do Cariri (CE), em 1991. Escritora, cordelista e poeta, é autora de Redemoinho em dia quente (Alfaguara, 2019), vencedor do prêmio APCA na categoria contos/ crônicas, Um buraco com meu nome (Ferina, 2018) e As lendas de Dandara (Editora de Cultura, 2016). Atualmente vive em São Paulo, onde criou o Clube de Escrita para Mulheres. Tem mais de setenta títulos publicados em literatura de cordel, incluindo a coleção Heroínas Negras na História do Brasil.

2. Toni Morrison

Toni Morrison (1931-2019) foi uma escritora, editora e professora norte-americana, vencedora do Prêmio Nobel da Literatura em 1993, tornando-se a primeira mulher negra a conquistar a honraria.

Toni Morrison, nome literário de Chloe Ardelia Wofford, nasceu em Lorain, Ohio, Estados Unidos, no dia 18 de fevereiro de 1931. Filha do operário George Wofford e da dona de casa Ramah era a segunda dos quatro filhos do casal e cresceu em uma família pobre que passou por muitas dificuldades.

Em casa, seu pai contava muitas histórias sobre a comunidade negra dos Estados Unidos o que marcou profundamente sua infância e posteriormente influenciou em sua carreira literária.

Em 1949 Toni ingressou na Universidade de Howard onde cursou filologia, formando-se em 1953. Em seguida, ingressou na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, onde completou o mestrado em Filologia Inglesa em 1955.

Depois de formada, Toni lecionou literatura inglesa na Universidade do Sul do Texas, Houston, durante dois anos. Entre 1957 e 1964 lecionou na Universidade Howard.

Em 1958, Toni se casou com o arquiteto jamaicano Harold Morrison, que também lecionava em Howard. O casal teve dois filhos. Em 1964 se divorciam e depois da separação, Toni foi morar na cidade de Syracuse no estado de Nova Iorque onde se tornou editora da Random House.

Na Randon House, uma das principais editoras de livros em língua inglesa do mundo, Toni Morrison publicou pensadores e autores afro-americanos, entre eles Angela Davis, Henry Dumas, Gayl Jones e o pugilista Muhammad Ali.

Em 1984, Toni começou a lecionar na Universidade de Nova Iorque, em Albany onde permaneceu até 1989 quando ingressou na Universidade de Princeton. Aposentou-se em 2006.

1. Elizandra Souza

Elizandra Souza, nascida em 1983 na periferia de São Paulo, cresceu em  Nova Soure, pequena cidade da Bahia, terra natal de seus pais. Em 1996, retornou à capital paulista, momento em que conhece e inicia seu diálogo com a cultura hip-hop. Criadora do Mjiba, fanzine de poesia, que circulou entre 2001 e 2005, a autora começou a frequentar os Saraus da Cooperifa em 2004. Posteriormente, participou do jornal experimental Becos e Vielas com o objetivo de dar voz e visibilidade à cultura periférica. No ano de 2006, ingressou no curso de jornalismo e, a partir deste momento, recebeu convite da organização Ação Educativa para escrever a Agenda Cultural da Periferia.

Elizandra Souza deu início ao seu processo de escrita através de diários pessoais até surgir, em 2001, o Coletivo Mjiba em Ação, espaço político-cultural em que descobriu a sua identidade afro-brasileira e do qual é uma das lideranças. Mjiba também faz referência à palavra da língua Chona, do Zimbabué, e carrega como significado a ideia de jovens mulheres revolucionárias, muitas delas guerrilheiras combatentes da guerra de libertação colonial.

A poesia, para a autora, tem como ponto de partida a vontade de revelar a sua condição étnica e de gênero sem que necessite se utilizar tais palavras. Seu poema “Em legítima defesa”, impulsionou a criação do livro Águas da cabaça e aborda a violência contra a mulher e o relato de casos midiatizados. Perante toda uma herança escravocrata, Elizandra Souza entende que a mulher negra está na base da sociedade brasileira, uma vez que as discriminações de raça, gênero e classe se entrelaçam e contribuem para que o racismo seja tratado apenas como um preconceito social. Neste papel, sabe das dificuldades em publicar seus livros, em participar de antologias e ser reconhecida nos saraus em que frequenta, enquanto homens são sempre incentivados a voarem mais alto. No verso “já estou vendo nos varais os testículos dos homens que não sabem se comportar”, a poeta alerta que a sociedade pode piorar, caso o machismo não seja solucionado e ainda indaga quando as mulheres começarão a reagir frente ao patriarcalismo.

A poetisa é autora do livro Águas da Cabaça, totalmente produzido, editado e publicado por jovens mulheres negras, lançado em outubro de 2012. É também coautora do livro de poesias Punga, com Akins Kintê(2007), e tem participação em revistas e antologias literárias como: Literatura Marginal – Ato 3, Cadernos Negros, Negrafias, entre outras.

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Biografias cedidas por e-biografias e UFMG.

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