Análise | A Excêntrica Família de Antônia


Análise psicológica do filme “A Excêntrica Família de Antônia”, fazendo uma relação teórica com os seguintes autores – Perls, Rogers, Jung, Reich, Adler, Maslow, Horney e Fromm. 

"O tempo não cura uma ferida, mas embota a dor e embota a memória." A verdade é que o tempo não perdoa nada nem ninguém. E perceber seus efeitos pode ser bem triste. Nada escapa dele, embora todos vivam suas vidas sem perceber. É assim que A Excêntrica Família de Antonia, filme dirigido por Marleen Gorris, conta a história de quatro gerações da família dessa mulher generosa, moderna e meiga que viveu a vida de forma tão simples e amorosa que quando chegou a hora de partir , ela simplesmente reuniu a família, se despediu, fechou os olhos e morreu...

O título condiz com a história do filme, é uma família realmente excêntrica aos padrões de sua época, segundo Erich Fromm, as pessoas encontram as raízes mais satisfatórias e saudáveis em um sentimento de afinidade com os outros. E que buscamos ter um senso de identidade pessoal, sendo indivíduos únicos, mas, quando não se consegue alcançar a meta por meio do esforço individual, podemos obter o objeto desejado com outra pessoa ou através do grupo. É o que iremos verificar no decorrer da história, onde cada um tem sua singularidade, mas se completam. É um filme cujo foco é o questionamento de conceitos e comportamentos ultrapassados que foram estagnados socialmente. Fromm relata que quando se faz exigências à sua natureza, a sociedade deforma e frustra os seres humanos, aliena-os em sua situação negando-lhes o cumprimento das condições da existência.

A história tem início com a volta de Antônia ao vilarejo que morava, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, Antônia, viúva, retorna à sua terra natal, após vinte anos, com sua filha Daniele. Seu retorno foi para acompanhar os últimos momentos de vida da sua mãe. Antônia e Daniele se instalam na antiga casa da família. Com a morte da mãe de Antônia, elas assumem as terras, passando a cuidar do arado e plantações da fazenda. Antônia se apresenta como alguém a frente de seu tempo e desenvolve relações um tanto fora dos padrões do vilarejo. Apoia sua filha em uma gravidez independente e também em sua homossexualidade. Sempre age de forma a derrubar a influência do pensamento religioso da vila. Acolhe uma vizinha que foi estuprada pelo irmão mais velho, um “deficiente mental” que é maltratado por um fazendeiro carrasco, um ex-padre que não suporta a pressão da doutrina religiosa e uma mãe solteira com suas crianças.

É possível verificar que a família de Antônia vai se compondo como um grupo aberto de pessoas excluídas por suas vivências, limitações psicológicas, cognitivas e pela maneira de pensar contrária aos moradores daquele lugar e da sua época. O filme permite analisar vários aspectos da psicologia, como a construção de estereótipos, os valores culturais, a comunidade e as relações estabelecidas por ela, a diversidade e sujeitos com necessidades especiais, a relação do sujeito na construção de sua personalidade e etc. O filme expõe ainda questões filosóficas pertinentes ao tempo e à proximidade da morte, abordando também valores ético e morais, como a moral religiosa que é fortemente conservadora e preconceituosa. A Igreja, aliás, o padre na imagem da Igreja ditava para todos o que era o bem, o mal e a felicidade e consequentemente estipulava as normas de como as pessoas deviam agir. A família de Antônia caracteriza-se principalmente pelas ações que representam a ruptura com formas tradicionais em alguma instância social, familiar, sexual e religiosa, essa ruptura expressa à realização da ação livre de cada sujeito.

Segundo Horney, as pessoas internalizam estereótipos culturais negativos na forma de ansiedade básica e de conflitos internos, de tal maneira que o indivíduo com o problema emocional é “um enteado da nossa cultura”, ou seja, não se enquadram nas regras e “padrões” regidos pelo vilarejo. E estes personagens rotulados podem ser facilmente encontrados como a Madonna uivante, Dedo torto, o protestante, o doido. Ao tratarmos de Dedo Torto, como também de Boca Mole, e outros personagens, nos vem em questão os estereótipos e sua influência na construção da avaliação psicológica de cada um. É possível que pensemos quanto diferentes eles seriam, caso não fossem marcados por estes nomes, que de alguma forma os excluíam da sociedade. E Antônia os acolhe, e eles passam a ser respeitado cada um dentro de suas diferenças.

Para Jung, arquétipos são estruturas do inconsciente coletivo, que podem ter várias “formas” e que servem para organizar ou canalizar o material genético. No filme, o arquétipo de “sábio” pode ser observado com o personagem “Dedo torto” e o de “mãe/cuidador” em Antônia. A mesma também demonstrava uma ânima e ânimus muito fortes, assim como sua filha, que era uma artista; além disso, o processo de individuação é presente em todos os membros pertencentes àquela família. Uma cena que chama a atenção para esse processo de individuação é a que Danielle disse que queria ter um filho, mas sem casar. E outra cena foi quando a mesma percebeu que era homossexual e que estava apaixonada pela professora da sua filha. Pode-se compreender a partir dessas cenas, e com o estudo da teoria de Jung, que a personagem Danielle tem a questão de individuação bem definida, ou seja, tornar-se a si mesma, aceitou ser como ela realmente é. Antônia, Danielle e Sarah são bem intuitivas e sentimentais, enquanto que Therese era bem mais racional e sensitiva (sensorial). A questão de “personas” também está presente no filme, Antônia mostrava ser uma pessoa muito determinada e atualizada para sua época e assumia vários papéis na sua família: de provedora, de cuidadora, de amiga, mãe, avó, etc.

À luz da teoria de Adler, que em seus estudos trazia a questão da importância do individuo estar bem em três pontos da vida; no amor, amizade e trabalho, e que isso é uma das tarefas mais difíceis que o sujeito se depara. No filme, fica evidente que é válido o amor puro e de todas as formas, não apenas na relação heterossexual ou homossexual, mas contando com tudo: dedicação, companheirismo, afeto e união. Pontos esses que servem para fortificar uma amizade e uma relação de casal; isso foi muito importante, servindo como base dessa família de Antônia. No filme também é notável como a cultura machista levava os homens a se sentirem superiores frente às mulheres daquele vilarejo, demonstrando um complexo de superioridade por parte do pai e irmão mais velho de Dedee, e um complexo de inferioridade por parte da mesma e de sua mãe. Segundo Adler os seres humanos são motivados primariamente por impulsos sociais e que o estilo de vida explica a singularidade de cada pessoa, podemos analisa Antônia como uma pessoa que buscava a superioridade através da busca social, já que a mesma sempre estava preocupada com os problemas sociais dos outros, na cidade em que moravam todos fechavam os olhos para os problemas que aconteciam para não se envolverem, enquanto Antônia abrigava em sua casa aqueles que necessitavam de ajuda, foi assim quando aceitou Dedee em sua casa, logo depois que Danielle descobriu que ela era abusada sexualmente por seu irmão Pitte. Antônia também recebeu em sua casa Letta com seus dois filhos que não tinha para onde ir, aceitou o padre que abandonou a batina, todos aqueles que eram rejeitados pela a sociedade por não seguirem seus padrões, Antônia recebia e acolhia em sua casa formando assim uma grande e excêntrica família. Antônia procurava sua superioridade através do interesse social que tinha pelas pessoas.


Enquanto muitos na cidade achavam que Antônia era uma louca, na verdade ela era a mais normal e preocupada com o próximo e com causas superiores, um exemplo disto é o relato dela de quando estava acontecendo à guerra, Antônia e seu marido escondem em sua casa uma família do exercito narzista. Enquanto muitos abusavam e desrespeitavam boca mole, porque ele tinha problemas cognitivos, certo retardo mental, Antônia o respeitava com todo direito que ele tinha como qualquer outra pessoa, isso fica bem claro na cena em que boca mole está passando pela estrada com seu patrão e uma criança acaba abusando dele e então Antônia pega a criança e a deixa pendurada numa arvore, naquele mesmo momento boca mole da meia volta e a segue, pois ele ali percebe que ficar com Antônia vai ser a melhor escolha pra ele.

Com base na teoria de Reich, percebemos dois personagens que fica clara suas posturas com relação à couraça e a perda da mesma. Dedee é uma jovem que acaba criando uma couraça, uma proteção psíquica, tornando-se uma jovem reprimida, sem opinião própria e isto é visto na cena do bar onde o pai a exibe de maneira grosseira para os homens que ali estão, e o seu irmão Pitte aperta seus seios para mostrar que ela está apta para o casamento, outra cena é quando Danielle passa em frente da fazenda da família de Dedee, e percebe que as mulheres da família são reprimidas, na própria narrativa do filme mostra que as mulheres daquela família não tem voz, segundo a teoria de Reich pode supor que esse comportamento de Dedee é consequência dos abusos sexuais sofridos por ela, onde o seu abusador é o seu próprio irmão Pitte, e esses abusos criam nela repressão sexual em seu comportamento, pois a repressão não acontece só no psíquico, mas também em nosso corpo e comportamentos, Dedee quando vai morar com Antônia, se mostra totalmente diferente, não deixando de ser tímida, reprimida, mas mostrando que é feliz e superando o abuso sofrido, sabendo conviver com isso, Dedee se casa com boca mole, com quem tem um filho. E o outro personagem é Bas, viúvo e com muitos filhos, apresentava-se em sua maneira de vestir-se sempre de terno, muito formal, encontrava dificuldades no relacionamento com a comunidade por não ser natural do vilarejo. Pode se dizer que sua maneira de se vestir era uma forma de defesa era a sua couraça. Conhece Antônia e passados algum tempo ao se envolverem a princípio como o espírito de troca de favores, mas passam a se relacionar também afetiva e sexualmente, logo após este envolvimento fica nítida a quebra da couraça através da nova forma que Bas passa a se vestir.

Vemos também no filme o fato da incongruência tanto no padre que prega que a prática sexual fora do casamento é pecado e em um sermão na igreja acusa Danielle de pecadora junto com Antônia, onde o próprio Padre tem a prática sexual escondido dos seus fiéis, onde vemos como ele pode condenar outros quando ele mesmo também está condenado. Também há incongruência do padre na questão que ele se mostra infeliz usando a batina, quando isso deveria ser motivo de felicidade, já que era parte da sua motivação como sacerdote. Ele vem ficar feliz e livre quando abandona a batina. Outra cena em que vemos a incongruência é no protestante com a Madonna, onde ele mostra para as pessoas que não suporta ela com seus uivos para a lua, quando na verdade é apaixonado por ela, e quando a Madonna morre vemos isso na cena em que ela morta está nos braços dele e ele está uivando para a lua, e logo depois de sua morte ele também morre, onde os dois acabam dividindo a mesmo tumulo.

Ainda dentro da teoria de Reich podemos notar que com o acolhimento que Antônia realizou em sua casa a todos, cada um com sua subjetividade, seja na homossexualidade sua filha Daniele, um ex-padre que não aceitava a opressão vivida e pregada na Igreja, uma mãe solteira, um viúvo com seus filhos, uma garota que sofreu abusos sexuais de seu irmão mais velho e tanto outro. Fica nítido que as couraças foram dissolvidas e tinham um grande prazer genital o que significa que tudo o que faziam e realizavam era com prazer, seja no trabalho comunitário, nas artes, na música, na forma de se relacionar nas reuniões realizados no quintal, ou seja, tinham prazer em estar jutos. Ainda nesta ideia pode-se notar que a teoria de Adler também se encaixa quando ele fala do “sendo de solidariedade humana... senso de fraternidade na comunidade” e fica clara a relação da comunidade cooperativa baseada no amor.


Perls, a escola gestáltica fala de estímulos e percepções e das diferentes formas de se perceber a figura e o fundo, em que o organismo seleciona o que é do seu interesse para o momento, ou seja, a percepção do que é figura e do que é fundo modifica-se de acordo com as necessidades e interesses dominantes. Identificamos no personagem Boa Mole estes interesses e necessidades. A figura seria o seu chefe fazendeiro e carrasco e o fundo tudo o que se passava ao redor, maus tratos dos garotos a passagem de Antônia com seu cavalo do seu lado, mas logo a figura muda e passa a ser o fundo que acontece no momento que está sendo maltratado pelos garotos e Antônia volta para defendê-lo, então ele seleciona seu interesse e modifica a figura para fundo que se dá no momento em que ele deixa seu chefe e acompanha Antônia. Segundo a teoria de Perls na perspectiva da Gestalt-Terapia, pode-se perceber a necessidade de completar o Ciclo Homeostático a partir da atitude de Antônia e sua filha em retornar à sua cidade natal, para atender as necessidades daquele determinado momento de suas vidas, associando a Auto-Regulação Organísmica, na qual as mesmas sabiam lidar com as situações no seu tempo, respeitando seus limites, onde diante de um mesmo cenário, cada uma tinha sua figura, seguindo em busca de seus próprios objetivos, vivendo, sobretudo o “Aqui e Agora”. Nesse caso, identifica-se a maneira intensa com que Antônia e Danielle queriam viver cada dia de suas vidas em seu tempo presente, sem se prenderem a questões passadas - muitas vezes impostas na comunidade pelas normas, histórias e modos de vidas tradicionais passadas de geração a geração - e nem as coisas do porvir, podendo assim suprir e identificar com mais clareza suas reais necessidades entrado em contato com seu próprio “eu”. Por exemplo, quando Danielle sente desejo de ser artista ou quando quis ser mãe solteira.

Já partir da abordagem de Carl Rogers, o filme apresenta a valorização da história centrada na pessoa, pois todos os personagens receberam um olhar individual diante da sua situação, ode cada um deles procurou condições facilitadoras no sentido de manter suas sobrevivências que representam, por sua vez, a tendência Auto – Atualizante para auxiliar no processo de crescimento de vida. Evidencia-se no filme o conceito de Congruência proporcionado e vivenciado no espaço familiar de Antônia, onde todo entorno favorecia a todos os que nele viviam uma sintonia entre os sentimentos, pensamentos e ações. Também se percebe que todos da família excêntrica têm seu “self” condizente ao “self ideal” em seu campo de experiência. Em oposição a estes conceitos, é clara a Incongruência pelas imposições de valores religiosos, nas normas e nos costumes vividos muito fortemente pelos habitantes da vila que impediam das pessoas terem consciência de si mesmas, exemplo disso é um dos padres que tanto criticava Antônia e foi flagrado “pecando”.

A imagem da natureza humana de Maslow é otimista, crê na escolha consciente, na singularidade, na bondade inata e na capacidade do ser humano de superar experiências de infância. Tendo como objetivo a auto atualização, como um modo de vida, uma forma de relacionar-se com o mundo. As pessoas auto atualizadoras, tem características como: aceitação de si e dos outros, autonomia, independência à cultura e ao meio, relações interpessoais mais profundas e intensas, estrutura de caráter democrático e resistência a pressões sociais, transcendendo a sua cultura. Antônia relaciona todas essas características citadas, pois mesmo com uma mãe repressora e crítica e sendo viúva, retornou a cidade natal para a morte da mãe, sabendo que não era aceita naquela comunidade. Decidiu ali permanecer, se relacionando com os marginalizados daquela sociedade, como dedo torto, Dedee e Boca Mole. Enquanto muitos abusavam e desrespeitavam boca mole, porque ele tinha certo retardo mental, Antônia o respeitava, isso fica bem claro na cena em que boca mole está passando pela estrada com seu patrão e uma criança acaba abusando dele, ela pega a criança e a deixa pendurada numa árvore, naquele momento, boca mole dá meia voltar e segue Antônia pois, percebe que ficar com ela será a melhor escolha pra ele.

Em volta dela se forma uma família diferente, pois os que não encontravam respaldo naquela sociedade sentiam-se acolhidos naquela família. Ela estabelece um relacionamento de amizade e anos depois um relacionamento sexual com o fazendeiro Bas, mas nunca aceitou o seu pedido de casamento, apoia a maternidade independente e a homossexualidade de Danielle. Faz uso de chantagem com o padre e contém a sua ira com estuprador da sua neta.

Todos esses relatos mostram que a personalidade de Antônia e aqueles a sua volta foram afetados pela sua forma de ver a vida. Se tornando conscientes de si mesmo, fazendo de cada escolha uma opção para o crescimento. Sendo de morte, de tragédia ou de vida, a mensagem é de que devia continuar caminhando. A cena que mostra os diversos casais do filme, fazendo sexo poderia ser uma forma de retratar a busca de cada um, a sua auto realização, sendo o ato sexual, um simbolismo disto.

Segundo Maslow temos uma hierarquia de cinco necessidades inatas que ativam e direcionam o nosso comportamento: fisiológicas, segurança, afiliação, estima e auto atualização. Os comportamentos para a satisfação dessas necessidades são aprendidos e variam de pessoa para pessoa, mas no núcleo de Antônia eles foram estimulados e aprendidos, mostrando que as suas necessidades mais básicas foram sendo supridas, os levando a busca da auto atualização. O padre que largou a batina, Letta que teve vários filhos, o nascimento de Sara, a morte de Antônia, a continuidade da família.

Concluímos verificando o quão se fazem necessárias as discussões e a reflexão a respeito de vários questionamentos evidenciados em todo o roteiro do filme e dos teóricos, o papel da ética, da moral, da inclusão, da exclusão, estereótipos, a liberdade, para que possamos superar as concepções engessadas e excludentes. Para tal necessidade, a arte, educação e trabalho se apresentam como formas possíveis para que seja promovido o ideal de ascensão dos grupos desfavorecidos. É preciso que novos padrões éticos sejam promovidos por todos, seja em quaisquer instâncias, familiar, religiosa, econômica, política, na busca de uma sociedade mais justa e menos excludente. Podemos observar que, ao longo da história as experiências de segregação não resultam em nada benéfico para a comunidade ao contrário, só atrasaram seu desenvolvimento. Uma das demandas de alguém comprometido com a complexibilidade atual é a de ter a responsabilidade de “desfazer a escuridão”, respeitando as diversidades, mas aspirando à realização da igualdade, buscando instrumentos para guia-los por um caminho que possibilite a realização das potencialidades humanas e do ideal de uma sociedade mais justa e igualitária. E isso, podemos verificar claramente na pessoa Antônia. A matriarca com sua livre, aberta para viver e vivenciar com o seus. Onde quebra padrões e rompe barreiras de preconceitos acolhendo a todos com suas diferenças.

Referências

A Excêntrica Família de Antônia – www. youtube.com/watch?v=rTT5fYmtFLs
Calvin S. Hall, Gardner Lindzey, John B.Campbell Teorias da personalidade - 4 ed - Artmed, 2000.
Fadman, J.L. & Froger, R. (1986). Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra.

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