Orgulho & Preconceito: As principais diferenças entre filme e obra


O livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, publicado em 1813, é um dos clássicos da literatura inglesa, que narra a história de amor entre Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, em meio às questões de classe, moral e casamento na sociedade da época. O livro é narrado em terceira pessoa, mas com foco na perspectiva de Elizabeth, que é a protagonista e a mais inteligente e independente das cinco filhas do Sr. e da Sra. Bennet. O livro explora os conflitos entre o orgulho de Elizabeth, que se ofende com a arrogância de Mr. Darcy, e o preconceito de Mr. Darcy, que se sente superior à família de Elizabeth por sua origem e fortuna. O livro também acompanha as histórias de amor e desilusão das outras irmãs Bennet, especialmente Jane, a mais velha e mais bonita, que se apaixona por Mr. Bingley, o amigo de Mr. Darcy.

O filme Orgulho e Preconceito, de 2005, dirigido por Joe Wright, é uma das várias adaptações cinematográficas do livro, que tenta trazer a história para o público contemporâneo, com algumas mudanças e simplificações. O filme é estrelado por Keira Knightley como Elizabeth Bennet e Matthew Macfadyen como Mr. Darcy. O filme altera o período histórico do livro, de 1813 para 1790, para mostrar a influência da Revolução Francesa na Inglaterra e para usar um estilo de vestuário mais natural e menos rígido do que o da Era Regência. O filme também muda a linguagem do livro, que é mais formal e refinada, para uma linguagem mais coloquial e acessível, que aproxima os personagens do espectador. O filme ainda acrescenta cenas que não estão no livro, como as que mostram o ponto de vista de Mr. Darcy, para torná-lo mais humano e simpático.

O filme também corta ou condensa alguns personagens e subtramas do livro, para se adequar ao tempo e ao ritmo do cinema. Por exemplo, o filme elimina os personagens do Sr. e da Sra. Hurst, os cunhados de Mr. Bingley, que são pouco relevantes para a trama principal. O filme também reduz a importância da personagem de Lady Catherine de Bourgh, a tia de Mr. Darcy, que é uma antagonista mais presente e influente no livro. O filme ainda simplifica a história de Lydia Bennet, a irmã mais nova e mais imprudente de Elizabeth, que foge com o vilão Mr. Wickham, causando um escândalo na família. No livro, essa história é mais complexa e envolve a intervenção de Mr. Darcy para resolver a situação, o que contribui para a mudança de opinião de Elizabeth sobre ele.

O filme, portanto, é uma adaptação que privilegia o romance entre Elizabeth e Mr. Darcy, em detrimento dos outros aspectos do livro, como a crítica social, o humor irônico e a profundidade psicológica dos personagens. O filme busca ser mais realista e emocionante, enquanto o livro é mais sutil e sofisticado. O filme é uma obra que se inspira no livro, mas que tem sua própria identidade e proposta. O filme pode ser visto como uma homenagem ao livro, mas também como uma interpretação livre e criativa da história de Jane Austen.

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA OBRA

Eu posso te falar um pouco sobre a história de Jane Austen, uma das mais famosas escritoras da literatura inglesa, que viveu entre 1775 e 1817. Ela escreveu seis romances, entre eles Orgulho e Preconceito, que retratam a vida da classe média alta da sua época, com ênfase nas questões de amor, casamento, moral e classe social. Ela usou uma linguagem elegante, irônica e realista, que criticava os costumes e as convenções da sociedade inglesa do final do século XVIII e início do século XIX.

Jane Austen nasceu em uma família de clérigos e recebeu uma educação básica, mas leu muito e escreveu desde cedo. Ela nunca se casou, mas teve alguns pretendentes, entre eles Tom Lefroy, que inspirou o personagem de Mr. Darcy. Ela viveu com seus pais e sua irmã Cassandra, que foi sua confidente e amiga. Ela também teve uma boa relação com seus irmãos, especialmente Henry, que a ajudou a publicar seus livros.

Jane Austen enfrentou alguns problemas e dificuldades em sua vida, como a falta de reconhecimento literário, a dependência financeira da família, as mudanças de residência, as guerras com a França, a morte de seu pai e sua própria doença, que a levou à morte aos 41 anos. Ela também teve que lidar com as limitações impostas às mulheres da sua época, que tinham pouca autonomia e liberdade, e que eram julgadas principalmente pela sua aparência, fortuna e casamento.

Os romances de Jane Austen refletem o contexto histórico e social em que ela viveu, que foi marcado por transformações políticas, econômicas e culturais. Ela testemunhou a Revolução Americana, a Revolução Francesa, as Guerras Napoleônicas, o início da Revolução Industrial, o surgimento do Romantismo, os movimentos abolicionistas e feministas, entre outros eventos. Ela também retratou os costumes, as modas, as leis, as religiões, as artes e as ciências da sua época, mostrando como eles influenciavam a vida das pessoas.

Os personagens de Jane Austen são complexos e variados, e representam diferentes tipos e classes sociais. Ela criou protagonistas femininas fortes, inteligentes e independentes, como Elizabeth Bennet, Emma Woodhouse e Anne Elliot, que se destacam por sua personalidade e opinião. Ela também criou personagens masculinos atraentes, nobres e sensíveis, como Mr. Darcy, Mr. Knightley e Capitão Wentworth, que se apaixonam pelas heroínas. Ela ainda criou personagens secundários divertidos, caricatos e críticos, como Mr. Collins, Mrs. Bennet e Lady Catherine de Bourgh, que representam os vícios e defeitos da sociedade.

As implicações históricas da construção do enredo de Orgulho e Preconceito estão relacionadas à forma como Jane Austen abordou os temas do amor, do casamento, da classe social, da moral e da educação na sua época. Ela mostrou como o orgulho e o preconceito podiam atrapalhar ou favorecer o relacionamento entre as pessoas, e como o amor podia superar as barreiras impostas pela sociedade. Ela também mostrou como o casamento era uma questão de sobrevivência e de status para as mulheres, e como elas podiam escolher entre se casar por conveniência ou por afeto. Ela ainda mostrou como a classe social determinava o comportamento, o prestígio e o poder das pessoas, e como elas podiam ascender ou decair socialmente. Ela também mostrou como a moral e a educação influenciavam o caráter, a conduta e o julgamento das pessoas, e como elas podiam ser virtuosas ou viciosas, racionais ou emocionais, cultas ou ignorantes.

Assim, Jane Austen criou uma obra que é ao mesmo tempo um retrato fiel e uma crítica sutil da sua época, que revela os conflitos, os valores e as mudanças da sociedade inglesa do final do século XVIII e início do século XIX. Ela também criou uma obra que é atemporal e universal, que encanta e emociona os leitores de todas as épocas e lugares, que se identificam com os personagens, as situações e as lições de Orgulho e Preconceito.

AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE A OBRA X FILME

O filme Orgulho e Preconceito, de 2005, dirigido por Joe Wright, é uma adaptação do romance homônimo de Jane Austen, que fez algumas mudanças para tornar a história mais realista e romântica. O filme tem como protagonistas Keira Knightley, como Elizabeth Bennet, e Matthew Macfadyen, como Mr. Darcy. O filme segue a trama principal do romance, que é o amor entre Elizabeth e Mr. Darcy, que enfrentam as barreiras do orgulho, do preconceito, da classe social e da moral. O filme foi elogiado por combinar elementos tradicionais de filmes de época com uma linguagem e uma estética mais modernas.

O filme altera o período histórico do romance, de 1813 para 1790, para mostrar uma Inglaterra mais rural e menos refinada, influenciada pela Revolução Francesa. O filme também usa uma linguagem mais simples e coloquial do que o romance, que é mais formal e elegante, para aproximar os personagens do público. O filme ainda acrescenta cenas que não estão no romance, como as que revelam os sentimentos de Mr. Darcy, para torná-lo mais humano e atraente.

O filme corta ou simplifica alguns personagens e subtramas do romance, para se adaptar ao tempo e ao ritmo do cinema. Por exemplo, o filme exclui os personagens do Sr. e da Sra. Hurst, os cunhados de Mr. Bingley, que não são essenciais para a história. O filme também diminui a importância da personagem de Lady Catherine de Bourgh, a tia de Mr. Darcy, que é uma antagonista mais forte e presente no romance. O filme ainda resume a história de Lydia Bennet, a irmã mais nova e mais irresponsável de Elizabeth, que foge com o vilão Mr. Wickham, causando um escândalo na família. No romance, essa história é mais detalhada e envolve a ajuda de Mr. Darcy para resolver o problema, o que faz Elizabeth mudar de opinião sobre ele.

O filme, portanto, é uma adaptação que prioriza o romance entre Elizabeth e Mr. Darcy, em detrimento dos outros aspectos do romance, como a crítica social, o humor irônico e a profundidade psicológica dos personagens. O filme busca ser mais realista e emocionante, enquanto o romance é mais sutil e sofisticado. O filme é uma obra que se inspira no romance, mas que tem sua própria identidade e proposta. O filme pode ser visto como uma homenagem ao romance, mas também como uma interpretação livre e criativa da história de Jane Austen. O filme é uma adaptação melhor do que as anteriores, pois consegue captar o espírito e a essência do romance, ao mesmo tempo que o atualiza e o renova.


MUDANÇAS DE TRAJES E DAS AMBIENTAÇÕES

Joe Wright optou por ambientar Orgulho e Preconceito 2005 na década de 1790, em vez de 1813, que foi o ano em que o romance de Jane Austen foi publicado. Ele fez isso para mostrar o contraste entre a Inglaterra e a França pós-revolucionária e explorar como a aristocracia inglesa estava assustada com as mudanças sociais 


AS DIFERENÇAS NA FAMÍLIA BENNET

No livro de Austen, a família Bennet é nobre, mas não tem muita sorte. Eles ainda têm alguma riqueza e status na sociedade. No filme Orgulho e Preconceito (2005), a família Bennet parece muito mais pobre do que no livro. Isso se deve em parte à escolha de Joe Wright de fugir da imagem formal da Era da Regência e mostrar a família vivendo em um lugar mais rural. As irmãs Bennet vestem roupas velhas e descombinadas, e a casa da família está mal cuidada.

O filme também mudou a personalidade do Sr. Bennet para torná-lo mais agradável. Ele é um pai carinhoso e atento, que se diverte com as loucuras da Sra. Bennet. A família Bennet pode ser bagunçada, mas no filme eles se amam muito. Porém, Jane Austen mostra a família como infeliz e problemática. Ao colocar a família Bennet em uma situação financeira difícil, mas mostrando o afeto e a união entre eles, o filme de Joe Wright os torna mais próximos do público de hoje.


MUDANÇAS NO FINAL DO ENREDO

Joe Wright decidiu terminar o filme Orgulho e Preconceito de 2005 de forma diferente do livro de Jane Austen. Ele não mostrou o casamento de Elizabeth e Darcy, mas sim uma cena romântica entre eles em Pemberley, depois de casados. Esse final é parecido com o de Fire Island , uma versão LGBTQ+ do livro.

Essa escolha provocou a indignação da Sociedade Jane Austen da América do Norte, que criticou o filme antes de ele estrear. A cena também foi retirada do filme na Inglaterra, por causa das reclamações do público que assistiu antes (via The New York Times ). Em vez disso, o filme na Inglaterra mostrou uma cena em que o Sr. Bennet dá a sua bênção para o casamento de Elizabeth e Darcy, seguindo o último capítulo do livro que conta como eles ficaram depois do final da história. Mas depois o público pediu para ver o final verdadeiro, e o filme voltou a ter a cena original de Wright.

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