[RESENHA #506] MAOMÉ, uma biografia do profeta, de Karen Armstrong



Maomé, a biografia de um profeta, é mais uma obra da Karen Armstrong que se destaca por sua abordagem profunda e intensa. Ela traça o perfil de Maomé de forma minuciosa, explorando sua vida desde a infância até a fundação do Islã. É uma obra única que contém informações detalhadas sobre o profeta e sua mensagem.

O livro também aborda o significado do Islã para o mundo moderno, e a forma como esse credo religioso pode ser aplicado para a modernidade. Armstrong mostra como os ensinamentos de Maomé influenciaram não só os muçulmanos, mas também outras religiões, contribuindo para a paz e justiça social.

Maomé, a biografia de um profeta, é uma obra excelente que oferece uma visão profunda e informativa sobre a vida e a obra do Profeta Maomé. A autora Karen Armstrong é uma das principais teólogas do mundo moderno, e foi capaz de capturar o grande significado do Islã para o mundo moderno. A autora quis abordar a questão do islã de uma forma que possibilitasse a compreensão do que é realmente o Islã, além de desmistificar todos os preconceitos sobre ele e proporcionar ao leitor uma experiência única e enriquecedora, a partir da qual possa ver o islã de uma perspectiva diferente. Ela desejava encorajar o leitor a pensar e questionar o status quo, além de servir de informação para aqueles que não têm acesso ao verdadeiro islã. Por meio desta obra, a autora quer que o leitor compreenda que o islã não é o que a propaganda ocidental o descreve, mas sim, uma religião de paz, tolerância e compaixão.

A religião se torna fundamental para entendermos as culturas do mundo, pois ela é a base da história e da sociedade, e muitas vezes ela é usada como um meio de resistência e unidade em tempos de crise. Precisamos estudar religiões para entender melhor o que motiva as pessoas a agir de certas formas e como elas podem ser influenciadas por seu sistema de crenças. Além disso, é necessário que encontremos formas de trazer pessoas e culturas de diferentes religiões para o diálogo, pois isso pode ajudar a construir pontes e entendimento entre elas. É importante entendermos que a religião é uma força que pode unir e fortalecer, e não somente dividir e destruir.

Portanto, é importante buscar informações sobre outras religiões e culturas para evitar o preconceito e o ódio, pois isso pode nos ajudar a compreender melhor o mundo que nos cerca e aumentar a nossa consciência sobre questões históricas e culturais. Isso nos ajudará a ter um maior respeito e compreensão por outras religiões e culturas e nos dará uma perspectiva mais abrangente sobre o que é a diversidade no mundo.

Na verdade, o islã tem contribuído muito para a humanidade ao longo dos séculos, a partir da criação de hospitais, escolas e bibliotecas, até à tradução de livros clássicos para a língua árabe. Embora muitos países islâmicos ainda enfrentem grandes desafios para alcançar a igualdade, existem muitos grupos que lutam por direitos iguais para todos, inclusive mulheres e minorias. Além disso, as nações islâmicas modernas têm muito a oferecer em termos de tecnologia, medicina, economia, ciência e inovação. Por fim, o islã não deve ser definido pela violência ou fanatismo, mas sim pelo seu compromisso com a justiça, a compaixão e o amor. É importante que o Ocidente aceite e compreenda a realidade do mundo islâmico e trabalhe para estabelecer relações de respeito e amizade entre as duas partes. Assim, poderemos ter um futuro de paz e harmonioso.

No segundo capítulo, intituladoA História de Maomé através de seus contemporâneos, a autora dá ênfase às fontes que comprovam a veracidade das histórias sobre Maomé. Ela se baseia na História de Ibn Ishaq, um dos primeiros biógrafos de Maomé, para mostrar que o Profeta foi somente um homem que cumpriu seu dever como mensageiro de Deus. Ela aponta que as primeiras narrativas sobre Maomé foram baseadas em fatos reais, e não frutos da imaginação dos seus contemporâneos. Ela também mostra como o Profeta foi visto durante seu tempo, como um homem muito honrado e respeitado, que não era aceito apenas por ser o mensageiro de Deus. Para a autora, os contemporâneos de Maomé foram os primeiros a reconhecer o seu carisma e coragem, e muitos deles se converteram ao islamismo por ver nessa religião uma forma de se livrar da opressão e da injustiça. Ela conclui dizendo que os relatos dos seus contemporâneos são a melhor forma de conhecermos Maomé, pois eles foram testemunhas oculares de tudo o que aconteceu na vida do Profeta.

Maomé foi um líder inspirador, com grande capacidade de liderar e convencer as pessoas a acreditarem na sua mensagem. Ele foi o responsável por tornar o Islã, a religião dos mulçumanos, um fenômeno global, que hoje é a segunda maior religião do mundo. Ele foi um dos maiores líderes religiosos de todos os tempos, que teve uma grande influência na história e na cultura dos países árabes. Ele criou as leis que vão reger os mulçumanos para sempre, e é considerado um dos melhores exemplos de como viver de acordo com a vontade de Deus. Maomé foi um profeta e um guia para todos os mulçumanos, e suas palavras, obras e ensinamentos serviram de inspiração para toda uma geração.

No fim ela nos lembra que a mensagem de Deus precisa ser ouvida e que Maomé foi o escolhido para levar essa mensagem, que ele era um homem de grande coragem e determinação. Ela faz questão de deixar claro que o Islamismo veio para mudar a vida das pessoas e muitas delas abraçaram essa nova religião, pois eles viram nos ensinamentos de Maomé uma luz no fim do túnel. No 4º capitulo ela fala sobre a chegada do Profeta Maomé. Maomé nasceu em meio à Jahiliyah e lutou muito para mudar o mundo com o ensinamento do islã. Ele se tornou o Profeta de Deus e trouxe a verdade para os beduínos. Ele e seus seguidores sofreram perseguições e crueldades, mas ele não desistiu. Ele trabalhou para unir as tribos e criar um novo sistema baseado na igualdade social e espiritual. Ele acabou com a escravidão, a poligamia e estabeleceu a justiça. Maomé foi uma figura importante para a humanidade e seu legado ainda vive até hoje.


A hospitalidade e a generosidade também foram importantes para a propagação da mensagem do Profeta (que a paz esteja com ele). Os árabes eram conhecidos por sua hospitalidade e generosidade, e essas virtudes foram recompensadas quando o Profeta e seus seguidores foram bem-vindos em sua terra natal. A mensagem de Allah (que Deus seja louvado) foi propagada através da bondade dos corações dos árabes e sua hospitalidade e generosidade foram recompensadas em retribuição. Os árabes foram uma das primeiras nações a abraçar a mensagem do islamismo, e hoje essa mensagem se espalhou por todo o mundo, mantendo viva a memória da hospitalidade e generosidade dos árabes.

Ela também discute o significado da revelação, mostrando como ela foi usada para ajudar a espalhar o Corão e a mensagem de Deus, e como foi usada como um meio para ensinar as pessoas sobre a verdadeira natureza de Deus. Ela discute como a revelação foi usada para inspirar os seguidores de Maomé a seguir os ensinamentos e a crença de Deus. Ela também discute como a revelação foi usada para fornecer diretrizes aos seguidores de Maomé para a vida moral e espiritual. Finalmente, ela discute como a revelação foi usada para unir os seguidores de Maomé sob um só propósito e como isso ajudou a manter a unidade entre eles.

No Quarto Capítulo, intitulado "Revelação", Armstrong discute os poucos fatos conhecidos sobre o início da vida de Maomé. Ela explica que Maomé não era um milagreiro, mas que o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, é o próprio milagre. O Corão faz referência a Jesus, que predisse que alguém viria em seguida para confirmar sua mensagem. Maomé e Jesus são vistos como heróis que atenderam às aspirações de seus tempos. Maomé nasceu no clã dos Hashim, que estava em desvantagem e passou por dificuldades financeiras durante a infância. Ele entendia os males que afligiam Meca e acreditava que ele poderia ajudar. Maomé sempre foi visto como um grande homem desde a sua infância, pois ele inspirava confiança e dedicava toda atenção às suas habilidades. Apesar da sua capacidade, sua condição de órfão não lhe permitia progredir. No entanto, aos quarenta anos, após se casar com Khadija, uma mulher notável, Maomé começou a fazer retiros espirituais, diagnosticando os problemas de Meca e acreditando que um mensageiro de Deus poderia resolver tal problema. Quando a revelação do anjo o perturbou, Karen Armstrong defende que foi diferente de Isais ou Jeremias, pois Maomé não tinha o consolo da religião para apoiá-lo. Ele precisava muito do apoio da sua esposa e, com cautela, começou a pregar para levar seus ensinamentos a uma direção que jamais imaginara. Com tal missão, Maomé compreendeu e expressou a verdade de sua missão melhor que muitos outros líderes religiosos, além de ter tolerância por praticantes de outras religiões, algo que os ocidentais nunca fizeram.

[quinto capítulo] O Profeta Maomé foi o guia escolhido por Al-Llah para levar a Sua mensagem ao povo coraixita. Segundo o Corão, o propósito de Maomé era construir uma sociedade justa e igualitária, onde todos seriam tratados de forma igual. A religião islâmica, também conhecida como "aquele que sujeita" seu ser inteiro ao Criador, veio à tona para ajudar na solução de problemas sociais. Ao contrário do que aconteceu com o Cristianismo, o Islã nunca foi confrontado com a ciência, pois os ensinamentos do Corão são simbólicos e não pessoais como as escrituras de Jesus Cristo. O objetivo de Maomé era levar a palavra de Al-Llah às pessoas, para que pudessem seguir Sua vontade, e assim viver de acordo com a Lei Divina.

Maomé iniciou sua missão com a intenção de converter aqueles que não tinham fé em Deus. Aqueles que acreditavam no Juízo Final e seguiam as leis divinas eram chamados de Crentes. Por outro lado, aqueles que se recusavam a acreditar na existência de Deus e não seguiam as leis divinas eram chamados de Descrentes. Apesar das oposições e críticas que recebeu nos primeiros anos, Maomé conseguiu ter sucesso e o Corão foi aceito como a Palavra de Deus. Por isso, os Descrentes eram vistos como aqueles que tinham um comportamento social incorreto e eram condenados por não seguirem as leis divinas.

O sexto capítulo do Corão, intitulado "Os Versículos Satânicos", aborda a concessão temporária feita por Maomé ao politeísmo. Os primeiros sinais de problemas apareceram quando os muçulmanos reagiram aos ataques dos coraixitas e derramaram sangue pela primeira vez em nome do Islã. Maomé proibiu o culto a outras divindades, o que gerou uma forte resistência dos homens mais influentes de Meca. Sua postura inovadora foi vista como uma negação da religião de seus pais, e eles temiam ser condenados porateísmo. Durante uma das suas revelações, Maomé havia permitido que adorassem três deusas como intermediárias entre eles e Deus. Contudo, ele recebeu outra revelação afirmando que a anterior havia sido inspirada por Satã. Os versículos foram substituídos por novos que louvavam a adoração de apenas um Deus. Isso foi recebido com alegria pelos coraixitas que estavam prontos para receber a mensagem. A partir deste momento, o profeta se tornou um monoteísta fervoroso, dividindo as famílias, mas trazendo esperança para aqueles que o seguiam. No entanto, isso também causou perseguição aos mulçumanos, obrigando-os a fugir para a Abissínia. Após dois anos, as tensões começaram a diminuir, mas o bloqueio ainda tinha causado muitos problemas.

O sétimo capítulo do livro trata sobre o Hijra, ou seja, a emigração de Maomé e seus seguidores para Yathrib. Após o fim do bloqueio de Maomé e a morte de sua esposa e de seu tio Abu Talib, o profeta tornou-se vulnerável, sendo assim, procurou Taif, a cidade de al-Lat, para pedir ajuda e pregar sua religião, mas foi mal recebido, sendo perseguido e obrigado a se esconder em um pomar. Em seguida, foi acolhido por Nawfal, onde seu chefe lhe deu proteção. Após ter um sonho de subir ao céu com Gabriel e encontrar os outros profetas, Maomé compreendeu que Deus lhe havia enviado sinais e que sua missão era mais do que apenas guiar. Então ele se apresentou aos habitantes de Yathrib, os quais perceberam que ele poderia ser um líder justo. Dessa maneira, um grande número de membros do clã se converteram ao Islã. Maomé, então, encorajou seus companheiros para a hijra, propondo a eles uma promessa de guerra, para assegurar a tomada desse passo. Com isso, os ajudantes de Maomé, os Ansar, tornaram-se o povo que o ajudou a realizar a emigração.
Após muitos mequenses partirem para Medina, a vida do Profeta estava em risco novamente, pois seu segundo protetor havia morrido. Assim, Maomé passou algum tempo escondido em uma caverna e, depois, voltou à cidade. Ao retornar, Emigrantes e Ajudantes trabalharam juntos para unificar os judeus e os mulçumanos através de um pacto de paz. Esta unidade foi chamada de umma e eles concluíram a construção da mesquita após sete meses da Hijra. Maomé então se casou com Aisha, uma menina, e os árabes se consideravam filhos de Abraão pois ele havia construído a Caaba com Ismael. Os adeptos do Islã também passaram a rezar voltados para Meca em vez de Jerusalém. Durante esse período, Medina estava à espera de um ataque de Meca.

A autora defende que o Profeta Maomé não deve ser criticado pelo fato de ter sido uma figura política, pois a época em que ele viveu não permitia que outra forma de liderança fosse possível. Ela argumenta que devemos entender que cada religião tem suas próprias características que são específicas e que, portanto, não devemos julgar outras religiões pela nossa própria ótica. Ela também salienta que, enquanto o cristianismo nasceu em um Império Romano unido, o islã nasceu em uma terra onde a unidade política era problemática. Após a mudança para Medina, o Profeta começou a tomar decisões mais sociais e políticas. Ele convenceu as pessoas de Medina e de toda a Arábia a se juntarem à