[RESENHA #508] Cooperação e desenvolvimento humano, de Carlos Lopes

Resenha do livro “ LOPES, Carlos. Cooperação e desenvolvimento humano: a agenda emergente para o novo milênio. São Paulo: Editora UNESP, 2005.”

Publicado em 2005 pela editora UNESP, o livro Cooperação e desenvolvimento humano: a agenda emergente para o novo milênio foi escrito por Carlos Lopes, sociólogo guineense, PhD em História pela Universidade de Paris, Pantheon-Sorbonne e membro da equipe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano. Natural de Canchungo, Lopes trata no livro de temas relacionados ao desenvolvimento humano e à cooperação internacional.

Esta obra destaca a necessidade de um amplo debate político para a definição de uma agenda de desenvolvimento e mudança na sociedade. É defendido que, além dos fatores clássicos de produção, fatores como solidariedade, aquisição, divulgação de informações e conhecimento devem ser considerados para reduzir a pobreza no mundo globalizado. Também ressalta a importância de serem tomadas medidas que levem em conta as diferentes identidades e culturas, pois elas são fundamentais para garantir o desenvolvimento sustentável. Estes conceitos são abordados em quatro capítulos da obra.

O autor propõe que o mundo não seja caracterizado por choques entre culturas, mas sim por uma convivência plural. Isso exige que se aceite e compreenda as diferenças como enriquecedoras, desenvolvendo uma comunicação política que garanta a liberdade cultural e reduza a exclusão. A civilização humana é diversa e plural, e é preciso acreditar na sua capacidade de transformar a sociedade.

Lopes acredita que para que haja verdadeiro desenvolvimento das capacidades humanas, é necessário que se ofereçam e criem oportunidades individuais e sociais que ultrapassem a simples redução da renda. É importante entender que a pobreza tem diferentes facetas que devem ser consideradas, por isso é preciso adotar estratégias amplas, holísticas e a longo prazo. Também é fundamental lembrar que doações em casos de catástrofes ajudam, mas não são suficientes para erradicar a pobreza. Para isso, é preciso que se criem inovações institucionais que promovam o desenvolvimento e o compartilhamento de conhecimentos entre diversas partes interessadas. Por fim, Lopes sugere que os países menos desenvolvidos assumam o processo de desenvolvimento de suas próprias capacidades e que as negociações comerciais estejam sempre baseadas na ética e na justiça.

A globalização é um processo de grandes riscos e oportunidades, que exige a capacidade de se adaptar à economia mundial. Esta adaptação pode levar a novas formas de exclusão, se não houver preparação adequada. Por isso, é fundamental promover as liberdades culturais para que todos possam desfrutar de oportunidades de desenvolvimento.

Lopes argumenta que a globalização tem ampliado as desigualdades, trazendo novos desafios aos indivíduos e causando exclusão para aqueles que não se adaptam. Para Gianetti (2002), esta desigualdade é resultado do desequilíbrio das riquezas globais e da crise de valores. Para contornar este problema, é necessário adotar a ética como base para o desenvolvimento. Assim, a globalização pode ser usada como um meio para promover o acesso aos benefícios para os países menos desenvolvidos, desde que as diferenças culturais sejam respeitadas.

No quarto e último capítulo de Desafios Atuais, o autor aborda os desafios da globalização. Ele acredita que os Estados devem participar desse processo, de modo a garantir a inclusão dos mais pobres. Para que isso seja possível, é necessário que o multiculturalismo seja visto como uma oportunidade e não como um problema. É essencial que a ética e a justiça sejam defendidas como valores fundamentais, para que as diferenças culturais possam ser aceitas e valorizadas.

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