[RESENHA #515] O homem duplicado, de José Saramargo


Resenha: SARAMAGO, José. O homem duplicado. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

O romance atual segue Tertuliano Máximo Afonso, um professor de história que luta para saber que existe outro menino igual a ele. Sua história começa quando ele assiste a um filme que lhe foi dado por seu colega, um professor de matemática. Depois de muito pensar, ele decidiu assistir a um filme; Você tem uma personalidade como você. Tertuliano Máximo Afonso, embora não avisado dos seus motivos, quis encontrar nesta pessoa o seu exemplo.

Este romance oferece uma discussão sobre a identidade dos tempos. Ao apresentar esse personagem, que a princípio não aceita seu nome, Saramago logo mostra que o protagonista, ao se recusar a ser chamado pelo nome de Tertuliano, vive um conflito pessoal. "Quanto ao Máximo e ao Afonso, o pedido mais comum, ainda o pode fazer, no entanto, dependendo do estado mental em que se encontre." P. 9. Vale notar que o estado de espírito do personagem determina como ele se apresenta. Esta situação de vida de Tertuliano Máximo Afonso é marcada pelo seu distanciamento e pela sua atitude face às suas duas relações; Seu casamento fracassado e namoro com Maria da Paz. A verdade refere-se à forma como o homem moderno vive isolado e em conflito com as suas condições de vida. O mundo fica menor diante da velocidade das comunicações e do trânsito, mas o ser humano não consegue acompanhar tantos avanços. Ele exige perfeição, para controlar tudo, como se fosse uma máquina.

Nesta situação, Tertuliano Máximo Afonso sentiu-se confuso ao avistar o objeto no seu espelho. Legalmente, tentou justificar que poderia haver o mesmo título entre milhares de pessoas não condenadas, mas as pistas que encontrou não deixaram dúvidas de que havia outro Tertuliano Máximo Afonso. Este facto leva Saramago a mostrar-nos o pluralismo que existe nas constituições da sociedade ocidental, devido à forma como as pessoas são tratadas. Isso é comparado a bens produzidos em massa para o mercado consumidor.

A construção do caráter nesses aspectos nos dá a oportunidade de repensar nosso lugar no cotidiano, pois nem sempre as pessoas estão conscientes do processo plural em que estão envolvidas. A razão pela qual Tertuliano Máximo Afonso quis se convencer da existência de uma pessoa como ele não foi apenas por curiosidade, mas também por medo diante de situações cotidianas que poderiam ser organizadas como objetos ou propriedades repetidas, ou mesmo. erro conforme observado no trecho: "O que mais me confunde, já pensei nisso, não é que esse menino se pareça comigo, ele é uma cópia de mim..." p. 27. Ao mesmo tempo, Tertuliano Máximo Afonso pensou que seria melhor não encontrar tal coisa, porque morar sozinho seria mais confortável. A ideia de não tentar resolver o problema é comum para um deprimido como Tertuliano. Este é um retrato de uma sociedade que precisa ficar longe de situações que exigem conflitos pessoais.

No meio de tudo isto está Maria da Paz, uma actriz que parece insinuar uma pessoa passiva, mas a sua determinação em manter uma relação estável com Tertuliano Máximo Afonso faz com que pareça uma mulher muito forte. Maria da Paz é uma típica mulher moderna; ele vive uma vida independente porque tem um emprego que garante seu sustento, mas não é perfeito porque não tem casamento.

Saramago veio à imagem de Maria da Paz para mostrar que mesmo com uma vida estável, a mulher moderna não está completamente sozinha, pois quer se posicionar no padrão familiar que a sociedade ama. Embora ela sempre tente entrar em contato com o namorado, ela não tem esse desejo, apesar de sair de um casamento desfeito. Maria da Paz ama Tertuliano e se dedica a ele, mas pensa muito na possibilidade de estabelecer outro relacionamento. A princípio, ele pensa em terminar o relacionamento, mas sua satisfação sexual e falta de coragem para realmente decidir o que quer são grandes. Maria da Paz acaba por aderir ao plano de Tertuliano de tentar localizar o personagem Daniel Santa-Clara, que na verdade se chama António Claro. No entanto, Tertuliano Máximo Afonso não contou a Maria da Paz sobre seus planos. Essa atitude não é surpreendente para quem tem uma vida fechada para relacionamentos. Pode-se questionar se Tertuliano Máximo Afonso é uma pessoa desonesta, mas isso cabe ao leitor decidir. Saramago leva o leitor a fazer julgamentos valiosos sobre os personagens. Senso Comum, o personagem mais importante, sempre conversará com Tertuliano; o fez questionar sua decisão. A consciência sempre interveio nas decisões modificadoras de atitude de Tertuliano, mas Tertuliano permaneceu calado.

Os primeiros contatos entre Tertuliano Máximo Afonso e António Claro foram hostis. Primeiro, porque a reação de António Claro é semelhante à de Tertuliano; Eu acho que o que está acontecendo é uma loucura; segundo, porque ao admitir que existe outro igual a ele, ele se coloca no lugar de um objeto. Se alguém perguntasse se gêmeos idênticos são parecidos, provavelmente diria que não; ao contrário da repetição de que até os pensamentos e desejos são os mesmos, e a forma como eles são formados fora da natureza.

António Claro é casado com Helena, uma mulher de dois turnos que se mostra estável, mas é em casa que a sua fragilidade é evidente. Ele continua bebendo para dormir. Quando ela ouviu a história que seu marido contou sobre um homem que deveria se parecer com ela, Helena não pôde deixar de pensar que ela poderia conhecer esse cara. "Um dia, essa Helena, que tem pressa e tem um trabalho a cumprir, vai contar pra gente porque ela senta no sofá também, porque, porque ela tá bem quando acorda, ora ora ela está sonhando e ele está abraçado ela e sacudindo-a muito bem." P. 185. Helena é uma mulher cansada de viver longe do trabalho e da casa, Isso o fez pensar se poderia haver alguma aventura que pudesse tirá-lo de seu sonho. esse hábito estressante.

É importante notar que o diálogo entre marido e mulher é limitado. Saramago queria mostrar como funcionam as relações humanas dos casais modernos. A vida acelerada e personalizada reduz as conversas objetivas. "Dizem apenas algumas frases, Como vai, Como vai, Muito trabalho, Eu também..." p. 166. A apresentação de Saramago desses diálogos difere do estilo de escrita usual. Por ser uma linguagem dinâmica, você precisa ter mais atenção, pois usar vírgulas na fala dá muita velocidade. Isso pode levar um aluno não ouvinte a se perder na aula.

José Saramago, em O homem duplicado, questiona o modo de vida do homem moderno. Um é colocado como objeto na sociedade capitalista, outro é consumido e examinado. Ao contrário da matéria, os humanos tentam permanecer no espaço. Isso cria conflitos de tipos. É provável que haja uma pessoa proeminente nesta sociedade, o que significa que ela deve desaparecer para que outras sejam vistas. Saramago quis dar ao romance um final que não deveria surpreender o leitor, que está atento às mudanças que ocorrem em seu tempo, mas quem quiser viver preso a sonhos utópicos, entenderá como algo trivial ou banal. o fim da história.

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