[RESENHA #528] Odisseia erótica, de Bento Verboto

uma viagem alucinante sob o caos constante

Bento Verboto é o pseudônimo da autora Umbra.


A odisseia é caraterizado por uma viagem marcada por eventos imprevisíveis, e na voz e definição do autor, ela é a chance que temos de nos reinventar em meio à mudança. Esta obra é um emaranhado poético que caracteriza e elucida em suas páginas sentimentos que afloram em meio ao encontro e desencontro de almas, do sexo e da falta dele, do desejo e do sentimento tudo por meio do desejo e de uma narrativa que provoca-nos diferentes sensações, pois ela nos aborda em diferentes óticas e perspectivas dos encontros e dos amantes que conquistamos ao longo da nossa vida.

Das características da obra, duas delas merecem destaque: os poemas possuem link de músicas que complementam a leitura, o que torna tudo mais pessoal e garante uma experiência única, trazendo a tona os sentimentos que, certamente, ocasionaram na escrita desta obra. Outro ponto interessante é a possibilidade de ler o livro de trás para frente, como em uma joga de vira-vira, ou seja, é possível abrir o livro por ambas as capas e realizar a leitura, uma vez que ambas contemplam uma série de poéticas.

O livro, como revelou o autor em nota, é sobre as dores insuportáveis e suportáveis sofridas por grandes amores e por ilusões amorosas, todas marcantes.

Ele

era sobre ele

a falta dele

o medo dele

A música que toca 

E eu fujo

Dele

de tudo o que envolva

Ele

(p.226)


Algo interessante de se observar é que à depender da parte lida do livro (capa frente-verso) os sentimentos se diversificam, a impressão que temos é que de um lado somos apresentados à uma mistura de sentimentos em meio à paixão, já do outro, somos contemplados com a visão amadurecida do processo do amor, repleto de reflexões que trazem a tona uma série de encontros com o passado e as pazes com o presente. Uma tática magistral.


Das terras que cruzei

Em poucas já botei

O pé

E habitei de verdade

somente em mim

(p.163)


Fala-nos sobre lembranças:


Eu estive me observando nos espelhos das ruas

Nos reflexos da cidade

Agora estou escondido no seu quarto, pelos meus textos que você guardou.

Queime minhas cartas como o sol queimou minha pele

Você me machucou de qualquer maneira.

Era uma questão de tempo para que alguém se ferisse.

Me observo, mas não sei se te vejo.

sou eu mesmo?

(p.126 em incorporando afetos)


...de saudade


Ainda tenho a sensação 

de sua boca mordendo o meu pescoço

e todos os jogos que você gosta

mãos em torno do meu corpo

senti que estava sozinho de novo

coloquei você num altar:

criei fantasias e fetiches de amor

(p.113 em meu corpo)


...do despertar


O amor não surge, e a gente culpa

nossos corpos de não terem química,

quando toda essa nossa biologia era só na teoria.

(p.100 em a noite na minha cabeça)


Bento Verboto é profundo em todas as suas nuances, sua escrita nos rasga de dentro para fora em distintas regiões, seus escritos penetram a carne e o íntimo do leitor, parte em direções opostas e múltiplas e nos convida à viver e vivenciar sua dor, seu gozo, suas paixões e sua evolução.

Um livro feito para quem ama poesia e reflexões profundas sobre amores e desilusões.

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