[RESENHA #541] Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo



Os trabalhadores do mar é um romance escrito pelo escritor, dramaturgo, poeta e ensaísta francês Victor Hugo, durante seu período de exílio, em 1866. A obra é uma relíquia clássica aclamada no mundo contemporâneo por sua escrita única e por suas descrições repletas de simbolismo e sinergia.

o autor nos inicia em sua obra com uma dedicatória que exprime, em resumo, um pouco do enredo ao qual a obra se desdobrará:

Dedico este livro ao rochedo de hospitalidade e de liberdade, a este canto da velha terra normanda onde vive o nobre e pequeno povo do mar, à ilha de Guernesey (ou Guernsey), severa e branda, meu atual asilo, meu provável túmulo.

Já na primeira página da obra, o editor da primeira edição (1866):

A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o templo; precisa criar, daí a cidade; precisa viver, daí a charrua e o navio. Mas há três guerras nessas três soluções. Sai de todas a misteriosa dificuldade da vida. O homem tem de lutar com o obstáculo sob a forma superstição, sob a forma preconceito e sob a forma elemento. Tríplice 'ananque' pesa sobre nós, o 'ananque' dos dogmas, o 'ananque' das leis, o 'annque' das coisas. Na Notre-Dame de Paris, o autor denunciou o primeiro; em 'Os Miseráveis', mostrou o segundo; neste livro indica o terceiro. A essas três fatalidades que envolvem o homem, junta-se a fatalidade interior, o 'ananke' supremo, o coração humano.

Contexto histórico:

Após o golpe de Napoleão III em dezembro de 1851, o escritor Victor Hugo decidiu se exilar. Anteriormente, era um fervoroso defensor do sobrinho de Napoleão I, mas passou a demonstrar hostilidade para com o seu antigo aliado, que se tornara Presidente da República. Hugo estabeleceu-se pela primeira vez na ilha de Jersey, onde permaneceu por 3 anos, até que foi forçado a fugir após criticar a Rainha Vitória. Em 1855, ele chegou à pequena ilha de Guernsey, onde viveu por quase 15 anos. Durante esse período, escreveu sua ode ao mar e ao povo de Guernsey, intitulada os trabalhadores do mar.

Resenha

O livro em sua estrutura original é composto por duas partes, intituladas Os Trabalhadores do Mar e O Arquipélago do Canal, uma narrativa de cem páginas de extensão, propicia ao leitor uma imersão na atmosfera das ilhas áridas, subjugadas ao vento e às marés. Esta obra narra os hábitos e costumes de Guernsey, Jersey e Serk, além da história deste arquipélago que não é puramente inglês nem meramente francês. A decoração é, desta forma, delineada. É um lugar destinado aos trabalhadores do mar. A segunda divisão da obra foi removida nesta tradução, mantendo apenas a primeira, os trabalhadores do mar.

O ananque é a personificação do caráter inescapável do destino, ou seja, da fatalidade. Em os trabalhadores do mar , o destino de Gilliatt, o personagem principal, é traçado pela descrição desta linha. Adivinhamos rapidamente que o desfecho só pode ser trágico e Hugo não hesita em semear pistas ao longo do livro.

O enredo inicia-se quando o navio de Mess Lathierry (uma importante figura na ilha de Guernesey, em 1820),  preso sob os comandos do Sr. Clubin, ao tomar conhecimento desse acontecimento, Lethierry faz uma promessa: dará a mão de sua sobrinha, que ele cria como sua filha, para o homem que conseguir resgatar o navio do atoleiro. Gilliatt se oferece e, como consequência, o romance descreve suas experiências em alto mar, incluindo lutas, náufrago, exílio e lutas. Os Trabalhadores do Mar é narra um período histórico pós guerras napoleônicas, abordando também o impacto da Primeira Revolução Industrial na citada ilha.

Gilliatt, um homem mal visto por todos na ilha, mas extremamente bondoso e caridoso, decide tomar para si a missão de ir em busca da realização do sonho do casamento com sua amada, mesmo que o caminho seja tenebroso e repleto de perigos e aventuras perigosas. As descrições construídas por Victor Hugo nos levam para o alto mar, para os perigos que se escondem nas águas, para a coragem de um homem, para o amor que alimenta toda rota marítima, e para todo sofrimento que se ocasiona pelo fruto de sua decisão. A obra é a menos conhecida do autor, porém, vem recebendo diversas adaptações e novas reimpressões. No Brasil, esta obra foi relançada pela editora Unesp, com uma tradução belíssima por Jorge Coli.

O livro possui diversos panos centrais de desenvolvimento da narrativa, como mentiras, traições, trapaças, medo, desenvolvimento do período, descrições peculiares de personagens, e por ultimo, o desenvolvimento do personagem central da narrativa, Gilliatt.

Os trabalhadores do mar é uma obra-prima da literatura francesa. Esta obra capta a essência da luta de um homem contra as forças da natureza e a beleza das paisagens da ilha. É um romance intenso e emocionante, que nos leva a um mundo de emoção e aventura. Esta obra merece ser lida e apreciada por todos os amantes da literatura.

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