[RESENHA #551] Urupês, de Monteiro Lobato


Urupês é uma coletânea de contos e crônicas do escritor brasileiro Monteiro Lobato, considerada sua obra-prima e publicada originalmente em 1918. Inaugura na literatura brasileira um regionalismo crítico e mais realista do que o praticado anteriormente, durante o romantismo.

RESENHA

Monteiro Lobato (1882/1948) é uma das formas mais marcantes da nossa literatura. Bravo autor, crítico de arte e editor (foi a única pessoa no Brasil a publicar o livro Lima Barreto quando quase ninguém acreditava nele), seu nome é quase que automaticamente associado ao livro infantil, principalmente no ciclo de histórias associado a " Sítio do Pica". - Pau Amarelo" foi adaptado para outras mídias sem literatura e com grande sucesso. No entanto, Monteiro Lobato, como é conhecido o autor, tem um produto que vai além das contribuições impossíveis. fora da web".

"Urupês" é uma das quatro coletâneas de contos que Monteiro Lobato publicou em vida, e seus contos chamam a atenção pelo bom uso do vernáculo e um estilo claro que garante "suas histórias". um recurso que permite uma leitura envolvente do início ao fim, sejam histórias de "ficção realista" ou reflexões de cariz social ou político, económico e/ou filosófico da criação intelectual. escritor.

Lobato era um nacionalista de "quatro caras" e seu nacionalismo o colocou em conflito com tendências atuais, como o modernismo. O cisma desenvolvido pelos estudiosos modernos em relação a Lobato popularizou-se após duras críticas à exposição de Anita Malfatti. Além disso, o nacionalismo do escritor o levou a expressar uma visão bastante negativa e um tanto pessimista do Brasil em que vive. Em suas histórias e em seus pensamentos, o pessimismo, a tristeza e a decepção de Lobato são vistos na relação contrastante entre a riqueza e a beleza de sua terra natal e a imoralidade, hábitos terríveis, pura ignorância e sabedoria tanto da elite quanto das celebridades e esta. O seu sentimento de desilusão com o país que lhe é caro, habitado maioritariamente por gente pouco inteligente, está patente em vários momentos do livro, como no final do livro do maravilhoso conto "Bucólica":


"Luz solar. Depressão, depressão crônica."...

É difícil contar uma história ou outra em uma antologia notável, mas dupla atenção é dada a "A vendetta da peroba" (amarga e perturbadora), "Tortura moderna" (um conto sombrio de desigualdade, elitismo, indiferença e crueldade) , "verso policial" (uma estranha combinação de sátira, raiva e crítica), "O mata-pau" (uma reflexão cruel e pessimista sobre a natureza cruel do homem), "Bocatorta" (uma história maravilhosa com final feliz Edgar Allan Poe), "O Comprador da Fazenda" (uma parte bem simples do livro com fundo humorístico, quase escondendo outra manifestação da grandeza que a ignorância pode ter na natureza humana), "Oh mancha" (que o dono não deve fazer nada; Guy de Maupassant), "Velha Praga" e "Urupês" onde Lobato grita impiedosamente alheio ao caboclo, vulgo "Jeca tatu", conforme o trecho em que fala:


"Nada o acorda. Nenhuma picada o faz ficar de pé. Socialmente, como os indivíduos, em todos os atos da vida, Jeca, antes de fazer movimento, agacha."

Ou:

"Ele não só fala, não canta, não ri, não ama.

Ele é o único, entre tantas vidas, que não vive."

Em defesa do autor, eu diria que ele tentou justificar sua antipatia por "caboclice" com base em sua nacionalidade; ou seja: o "caboclice" é o responsável final pela destruição do meio ambiente e pela falta de progresso tecnológico no século XX, fatores que alimentaram a decadência do Brasil que o escritor tanto amou. Mas, por outro lado, é notável que o autor culpou o caboclo como se suas ações e atitudes fossem inerentemente más e ignorantes, sem levar em conta a desigualdade que existe entre o caboclo e até mesmo os trabalhadores brasileiros. de grandes vítimas.

O próprio autor buscará, então, redimir-se da face do caboclo, defendendo a educação e a higiene pública como formas de melhorar a vida dos pobres no Brasil.

Mas a verdade é que, ainda hoje, Lobato é visto por muitos como um elitista, racista e preconceituoso.

Polêmicas à parte, "Urupês" é um livro de primeira e leitura obrigatória para conhecer, entreter e evocar emoções do nosso país Brasil, que ainda não teve igual.

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