Vozes da nova geração: 30 obras brasileiras para conhecer em 2023


vozes da geração é o novo espaço do blog onde iremos destinar à publicar e indicar autores e obras literárias do século atual, bem como autores novos com uma escrita com público crescente e escrita proeminente. A seleção é elaborada por nosso grupo editorial toda semana com base na mídia e experiências literárias como num todo. A seleção Vozes da Geração tem como objetivo sugerir obras e autores novos e ajudar a divulgar as obras e trazer mais destaque para eles e sua escrita. Esperamos que através deste projeto possamos contribuir com a difusão de obras, autores e escrita de qualidade.


1. Em branco silêncio, de Wilson Guanais

Wilson Guanais possui sutileza em seus manuscritos, suas obras altamente reflexivas e profundas, nos trazem à tona a evocação do prazer de ser mais uma página. Em branco silêncio é composto por versos livres, poesia enxuta. Eis o conteúdo poético de “Em Branco Silêncio”. Nesta obra, o poeta opta por uma simplificação das palavras, para com isso trazer um toque de inocência à poesia. As metáforas não são utilizadas em demasia; ao contrário, as imagens contidas nas palavras seguem-se em poucas linhas, fazendo dos poemas pequenas cápsulas de sutis e contundentes significados. Decidido a falar do poder do olhar, Guanais escolhe um ritmo que se mantém por toda a obra sendo rápido e direto. Prefere trabalhar um tema por vez, em breve linhas, o que faz com que a ideia principal de cada poema se destaque. A poesia de “Em Branco Silêncio” é criada pela sinceridade de um poeta que a aceita em sua forma simples, nua, acreditando que “que a mão que escreve/ só sabe escrever”, pois o poeta é o meio pelo qual a poesia se manifesta.



2. A menina e o equilibrista, de Bruno Félix

Bruno Félix foi o primeiro autor que tocou meu coração de uma forma mais direta, sua escrita é clara e repleta de emoção, paixão e fogo. Sempre muito bem desenvolvido, as histórias de Bruno são sempre inspiradoras e profundas, carregadas de sentimentalismo. A menina e o equilibrista é, na minha opinião, sua obra mais proeminente.

sinopse da obra: Em meio ao desespero das turbulências da vida Antônio entrega-se a uma atitude desesperada. A lição de “A Menina e o Equilibrista” começa a se formar já nas primeiras páginas da história, quando uma menina de sete anos chamada Angelina aparece no momento em que Antônio está à beira da morte, decidido a se jogar de uma ponte. Angelina, com certa ingenuidade, acredita que o homem não sabe bem o que está fazendo, e tenta demonstrar o perigo que ele corre ao se fazer distraído a tão grande altura. Para disfarçar, Antônio, por sua vez, afirma ser um Equilibrista, e estar apenas treinando e praticando o seu hobby. Deste contato entre Antônio e Angelina, as narrativas e ações envolvidas no desenvolvimento da relação de ambos começam a rechear o enredo com uma história que coloca em evidência a simplicidade da visão de vida de uma criança. Neste relembrar da pureza, vivenciada uma vez na infância, Antônio é impulsionado a redescobrir as simplicidades, que estão alternadas com um cotidiano turbulento, mas que servem como reafirmações do valor da vida, as quais intensificam a fé frente aos antagonismos criando um norte para o ser humano. Uma jornada de redescobrimento, em uma linha tênue entre o desespero e a fé.



3. Erguer e destruir, de Paulo Sales

As crônicas de Paulo Sales carregam a profundidade do lirismo no aprofundamento da reflexão sobre a vida, sobre as angústias do homem, sobre o destino, ao mesmo tempo em que, com recursos do vasto campo do conhecimento da cultura, da arte e a história o autor reforça os vínculos intelectuais que lhe permitem uma grande indagação sobre o viver. Erguer e destruir salienta a cada crônica, as belezas da existência, com todos os seus antagonismos, evidenciando que na passagem do homem sobre a Terra, é deixando um rastro de ambiguidades, como efeito contrário ao caos interior humano; ao mesmo tempo que o homem tem a sua disposição, as belezas dos detalhes da vida, não é capaz de saciar-se nesta contemplação, acabando por destruir, aquilo que ele próprio edifica.



4. A baleia noturna do meu sertão, de Émerson Sarmento

Por meio de diálogos rápidos e bem-humorados, mas também de um enredo elaborado que desnuda a própria complexidade a conta-gotas, Sarmento nos oferece uma visão singular do que se convencionou chamar de sertão, mas que é algo inapreensível por rótulos — essa alma áspera do interior de um país que não se deixa domar pelas instituições.

5. A casa dos girassóis, de Antônio Norte

Em A Casa dos Girassóis, Antônio Norte nos mostra, através de poesias que retratam a vida, o amor e a sua própria história, a iluminação dos Girassóis em nossas vidas. [...] A leitura do livro nos embala para a categoria principal de Cornelius Castoriadis o “imaginário é real”. Portanto, cada verso, cada poema de A Casa dos Girassóis, revela que cada imaginário se transforma no Real Verdadeiro. [...] Nesse sentido, o livro de forma profunda ensina que a Poesia é Vida, e a Vida é Amor. Quando uma casa é sustentada por vigas da vida, a alma, o espírito e o coração são prenhes de amor. Vamos entrar n’A Casa dos Girassóis e sentir a vida em diversos caminhos seja na terra, na floresta, na água, no ar, no fogo, no imaginário, todos sendo parte das vigas da vida.




6. A dupla vida de Dadá, de Moema Vilela

Moema Vilela faz uma escrita plural, cosmopolita, no sentido de conseguir, sinteticamente, trazer para suas formas breves, de minificções, uma abrangente variedade de temas, de personagens, de criatividade. Não existe pudor e limites para os seus “escolhidos”, seus protagonistas, narradores. Uma pomba marginalizada e discriminada, pode ter o direito a contar a sua história, o menino que é técnico de informática, a mulher que em meio a folia perde o seu sentimento de vergonha. Esta flexibilidade e, esta quase ambição, atenderam e cumpriram o desafio de mostrar quantas são as vozes no mundo, e como elas podem, ser percebidas na simplicidade das narrativas breves. Este livro é fascinado por temas e várias perspectivas, permeado por intertextualidades. Alguns dos seus contos curtos, são tão incomuns que chegam a falar até mesmo das sopas, mas não de maneira ingênua, e sim, aproveitando a inusitada protagonista para ensinar ideias, teorias criativas e distintas, neste caso, “a sopa” pode referir-se ao processo de produção de textos, “casca-se ali, corta-se aqui, mistura-se tudo”. Este toque flexível, humorístico, grave e plural demonstra que, muito se pode falar, desde que se observe o andamento da natureza e do mundo, sendo que, tendo esta ideologia em mente, alcança-se os mais diversos objetivos: traz-se alegria, reflexão, crítica e opinião.



7. A face serena, de Maria Valéria Rezende

O livro de contos "A face serena" é um magistral apanhado de nossas fases ao longo do caminhar pelo mundo. Mas, com a argúcia desta autora excepcional, as três fases se mesclam, nos conduzindo pelos meandros da experiência poética, que não é nada mais do que uma preparação para a vida e para a morte. Essa coisa inescapável que é o fenecimento é a medida da arte. Escrever é morrer um pouco para aquilo que deixamos para trás, para que se descortine um novo caminho, um renascer.



8. Saltar Vazio, de Marcelo Adifa

A memória está em alto patamar, quando na poesia de “Saltar Vazio”, é ela quem justifica o ato do salto, é nela que os precipícios da alma humana se anunciam, nas vontades dos desejos que se tornam impossibilitados, devido as sujeições ao tempo. A despeito de toda a importância das memórias, estão altamente cotadas, as palavras que ocupam grande parte da consciência humana, mesmo a poesia, nada é se desvinculada da capacidade de racionalizar; por meio de comparações, de imagens. As recordações dão significado à poesia que reflete o interno dos homens, “a poesia que irá mostrar as dores humanas”.


9. Em meio à tempestade, de Luiz Roberto da Costa Jr.

Luiz Roberto possui uma singularidade em seus poemas, e é algo transformados ao primeiro encontro. Sua escrita profunda, doce e tocante, vai de encontro ao desenvolvimento que a literatura contemporânea vem sofrendo, com contribuições de escritores proeminentes, e Costa Jr, é, sem dúvidas, um achado, uma revelação e uma escrita necessária.



10. Agridoce, de Andréa Rezende

Agridoce, de Andrea Rezende é profundo em todos os sentidos da palavra, em todas as descrições e em todas suas faces. A obra é um retrato agridoce da vida e das críticas sociais que não vemos, mas sentimos. Nesta obra, a autora traz para nós uma série de poesias, poemas e mistérios e muita militância. Sua escrita grita por coragem, por renovo, por novos tempos. Um livro necessário no tempo e no século correto.

Apresentação da obra:

Agridoce: palavra que conhecemos da gastronomia, quando de um prato apuramos sabores mistos, como amargo e doce ou azedo e doce — "agri" deriva do latim "acer", que significa ácido ou azedo. Em sua poesia, Andréa Rezende extravasa essa dualidade com mais uma pá de temperos que penetram seus versos, mesclando sentimentos nem sempre uniformes, consonantes, mas que juntos inauguram significados. São palavras de urgência, subvertidas ao longo de seis anos de impressões, inspirações, percepções da autora sobre a vida e sobre a própria poesia. Agridoce é como prato único, feito em mosaico de sabores, temperado com acidez e doçura, indignação e esperança, dores e delícias, erros e acertos, encontros e faltas, a voz, a vez e o silêncio, o dito, o entredito e o não dito. É a vida que cabe em sua obra literária.



11. Flow por grafia, de Taz Mureb

Não há palavras que descrevam com precisão a escrita de Taz Mureb. Flow por grafia é um livro sem formas, livre de pretensões e poções mágicas, ele é a idealização de uma autora que escreve com alma, que capta à essência dos pequenos momentos da vida, da riqueza de detalhes e da experiência viva em pele acerca das reflexões diárias que nos cercam. Mureb possui um talento para desenvolver riqueza de detalhes e profundidade, seu livro é uma mostra intensa e proeminente de sua capacidade de fazer-nos refletir por meio de um escrito poético e sublime, tudo magistralmente bem orquestrado com uma grafia musical.



12. Partituras de uma vida, de Viviane de Cássia

Este livro salva qualquer um de qualquer que seja o seu problema. Partituras de uma vida é uma obra poética, reflexiva e completamente forte em sua essência, a autora, com todo seu dom e sutileza, nos presenteia com uma série de poemas acerca de sua vida, essência e inspirações. Não há aqui simplicidade, mas riqueza e afinamento e estreitamento das relações. Uma obra que certamente irá inspirar e marcar todos que com ela tiverem um momento. Uma leitura recomendada à todos os fãs de bons livros e boas memórias.



13. Para os que ficam, de Alex Andrade

Em sua narrativa intensa, "Para os que ficam", de Alex Andrade (Editora Confraria do Vento, 2022), a personagem principal Ana é retratada como vítima de relacionamentos abusivos. O alcoolismo, a culpa, a perversão e a melancolia são elementos presentes na construção psicológica dos personagens, criando um cenário em que o doloroso e o realista se misturam para contar uma história de profunda vulnerabilidade. A obra é uma ótima indicação e pedido para todos os amantes de um livro forte em essência.

14. Coisa amor, de Pedro Jucá

Coisa amor é obra poética em forma de contos, Pedro Jucá, delineia e cria uma atmosfera de riquíssimos detalhes e de descrições densas e fortes. Em Coisa amor, Pedro nos presenteia com sua genialidade, nos fornecendo uma obra de contos reflexivos, cada qual com sua essência e pureza. A obra é, se não, um emaranhado poético descritivo, intenso e forte.

Apresentação da obra:

Não foi a bacia o que eu quebrei, mas o fêmur, que se partira ao meio e precisou de uns pinos, umas estruturas de ferro para se rejuntar. A cirurgia havia durado algumas horas, e eu havia passado por uma anestesia geral que me deixaria desorientado por muitos meses, o que de certa maneira foi bom, pois tive que começar a frequentar sessões de fisioterapia que me torturavam muito, mas em compensação logo sumiam em minha memória, que estava completamente destrambelhada. Luciana, a empregada, entrava no quarto, e eu a confundia com Lygia, dizia que, se eu morresse, meu carro ficaria com ela.



15. Pacto Secreto, de Eliane Quintella

Eliane Quintella é proeminente na arte de escrever e contar histórias, seus enredos altamente trabalhados e ricos em detalhes, são, para todos, uma experiência fascinante e transformadora. Em pacto secreto, três regras haviam sido reveladas à Valentina. Mas, ela não sabia se existiriam outras regras que teriam sido ocultadas. Tinha certo em seu coração que precisava ter seu pedido atendido. Era o que havia de mais importante. Precisava decidir se assinaria ou não o pacto. É a pergunta que não se cala. Será que Valentina deveria assinar o pacto sem ter certeza do que estava em jogo? O que realmente assumiria se assinasse? E você, assinaria o pacto? Em troca, teria o que pedisse. Poderia ser qualquer coisa.



16. Vidas entrelaçadas, de Raul Marques

Lírico e poético, Vidas entrelaçadas, de Raul Marques, é uma coletânea de poesias que tem um fio condutor por narrativas comuns do Brasil. Entregando ao leitor as histórias de Maria, Ana, Antônio, Francisco, Laura, Guilherme, Célia, Helena, Renato e Alice, o autor faz com que seja possível se conectar com os personagens. Intenso, fascinante e sensível, Vidas entrelaçadas irá envolver o leitor e conduzi-lo por personalidades e narrativas brasileiras.



17. Vila dos murmúrios, de Mauro A. Souza

Quando o jornalista Caio Cesar Ribeiro resolve se embrenhar no interior do estado de Minas Gerais, na região da Zona da Mata, para investigar os estranhos acontecimentos que culminaram com a destruição do distrito de Arassal (hoje tido como um vilarejo fantasma) na década de 90, ele não sabia estar se envolvendo com forças sobrenaturais que atuam sobre aquela área há mais de século. Ele está prestes a descobrir que algo muito grande e sombrio se esconde por trás da tragédia e ele, como um escolhido, foi convocado àquela região para contar uma história nunca antes contada. Para isso, ele precisará fazer uma macabra viagem por um passado marcado por preconceito, crueldade, magia negra e mortes.




18. Serpentário, de Felipe Castilho

Sobre o enredo: todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.



19. A última cabra, de Lucas Verzola

Os dez contos de A última cabra retratam protagonistas confrontados a situações de aparente normalidade que testam seus limites éticos, morais e psíquicos, seja em ambientes de trabalho, em casa ou na rotina cotidiana. Estas narrativas também mostram um ambiente de violência e solidão, típico de grandes centros urbanos, e são influenciadas por referências que vão desde o realismo brutal a literatura fantástica. A última cabra, desta forma, é uma obra de literatura contemporânea que busca se renovar por meio de seu estilo próprio, e é uma excelente recomendação.



20. A página assombrada por fantasmas, de Antônio Xerxenesky

O novo livro do autor americano Thomas Pynchon suscita a suspeita de que a sua verdadeira autora é a tenista russa Anna Kournikova. Ainda assim, ao mesmo tempo, uma estudante brasileira de Letras descobre um manuscrito inédito de Borges na Argentina e, posteriormente, perde-o. Por outro lado, um adolescente desenvolve a superstição de que, se não ler o romance que trouxe consigo numa única madrugada, sua namorada vai morrer. O segundo livro do escritor gaúcho Antônio Xerxenesky, intitulado "A Página Assombrada por Fantasmas", contém nove contos nos quais a literatura é a principal protagonista. Nas histórias deste livro, a literatura é representada como um pacto, mesmo que não seja evidente ou deliberado. O livro aborda os conflitos entre a vida cotidiana real e a vida incrustada nas páginas dos livros, a imaginária, e reflete sobre os muitos fantasmas que são a base da literatura contemporânea.



21. O tribunal da quinta feira, de Michel Laub

Um publicitário faz confissões por e-mail ao melhor amigo. Os textos falam de sexo e amor, casamento e traição, usando termos e piadas ofensivas que contam a história de uma longa crise pessoal. Quando a ex-mulher do protagonista faz cópias das mensagens e as distribui, tem início o escândalo que é o centro deste romance explosivo. O fio condutor da história, que une o destino dos personagens diante de um tribunal inusitado, são os reflexos tardios e ainda hoje incômodos da epidemia da aids, e o que está em jogo são os limites do que entendemos por tolerância - mas para chegarmos a eles é preciso ir além do que seria uma literatura “correta” ao tratar de homofobia, assédio, violência, empatia, liberdade e solidariedade.


22.Sinuca embaixo d’água, de Carol Bensimon

Sinuca embaixo d'água é uma história construída em torno de uma ausência. Sete personagens narram um momento de luto, depois que Antônia, uma garota na casa dos vinte anos, morreu num acidente de automóvel. Boa parte dos episódios transcorre no bar do Polaco. Às margens de um lago, os fundos do bar abrigam um salão de sinuca - metade do estabelecimento fica dentro d'água. O local é frequentado por Camilo, irmão rebelde de Antônia, que tinha uma relação especial com a irmã: entre a adoração e o instinto protetor. Sua principal ocupação é montar e desmontar carros antigos. O tímido e doce Bernardo era colega de faculdade de Antônia, com quem ela mantinha um romance platônico. É ele quem vai esboçar uma investigação sobre o acidente: estaria ela embriagada, transtornada por uma briga passional, fugindo, sendo seguida? Bernardo e Camilo não são os únicos a se ocupar dessa ausência. Polaco, a jornalista Helena, o publicitário Gustavo, o vizinho Lucas e o forasteiro Santiago estão todos ligados, entre si e a Antônia, graças a esse acontecimento trágico, que instaura outro tempo, feito de memória, dificuldade de expressão e necessidade de um novo aprendizado.


23. Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu, de Julian Fuks

O livro Fragmentos, escrito por Julián, que contava pouco mais de 22 anos, foi premiado pelo Projeto Nascente (USP/Editora Abril) em 2003 e publicado pela Coleção Rocinante da Editora 7 Letras no ano seguinte. Com 64 páginas, o livro conta a história de Alberto, Ulisses, Carolina e outros, mas também é uma coletânea de textos autônomos, com tênues continuidades em nomes e circunstâncias, e um forte traço autobiográfico que reflete a experiência de vida e de leitura de seu autor. O autor hábil em variar o estilo e se exercitar na narração, representa a frustração de saber que o lirismo e a grandiosidade vividos são forjados, e seu desejo de transformar as vidas em texto.


24. Do lado de fora, de Carola Saavedra

"O olhar de Carola Saavedra é penetrante. É esse olhar que ela empresta aos personagens-narradores das suas histórias: elas registram, implacavelmente, detalhes, sutilezas, nuances de relacionamentos. Uma paixão pela observação distanciada torna essas figuras quase frias, decididamente isoladas dos demais. Eles são, em última instância, uns solitários, com a característica solidão cercada de gente de que padecem os moradores da grande cidade contemporânea — onde encontra material a ficção de Carola. (...)". Da 'orelha'.


25. A Chave de Casa, de Tatiana Salém Levy

Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança e etc, A chave de casa é um livro pulsante, cheio de vida e emoção. A autora tece um romance de vozes diversas - como são as vozes da memória -, histórias que se complementam num tom de densa estranheza.Romance de estréia da jovem escritora Tatiana Salem Levy. Lançado em Portugal no primeiro semestre de 2007, o livro foi um grande sucesso de crítica.


26. Redemoinho em dia quente, de Jarid Arraes

Escritora conhecida por seus cordéis, Jarid Arraes estreia no gênero dos contos em Redemoinho em dia quente. Focando nas mulheres da região do Cariri, no Ceará, os contos de Jarid desafiam classificações e misturam realismo, fantasia, crítica social e uma capacidade ímpar de identificar e narrar o cotidiano público e privado das mulheres.


27. Até o dia em que o cão morreu, de Daniel Galera

Em "Até o Dia em que o Cão Morreu", Galera narra uma história de solidão e apátia, absurdamente real. Nela mora a magia da literatura, que transforma um contidiano sujo, ordinário, em um impulsionador de sentimentos ao leitor.



28. Enterre seus mortos, de Ana Paula Maia

Ana Paula Maia, uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea, escreveu uma habilidosa mescla de novela policial, faroeste de horror e romance filosófico. O protagonista, Edgar Wilson, é descrito como "um homem simples que executa tarefas". Ele trabalha no órgão responsável por recolher animais mortos em estradas e levá-los para um depósito onde são triturados num grande moedor. Seu companheiro de profissão, Tomás, é um ex-padre excomungado pela Igreja Católica que distribui extrema unção aos moribundos vítimas de acidentes fatais que cruzam seu caminho. A rotina pacata de Edgar Wilson é alterada quando ele se depara com o corpo de uma mulher enforcada dentro da mata. Como a polícia não possui recursos para recolhê-lo, Wilson decide rebocar o cadáver clandestinamente até o depósito, onde o guarda num velho freezer. Em seguida, Wilson encontra o corpo de um homem. Edgar e Tomás, habituados com a brutalidade, decidem dar um fim digno àqueles infelizes cadáveres. A tentativa de devolvê-los ao curso da normalidade gera questões existenciais de difícil resolução. A linguagem seca da autora, que imita as estradas pelas quais o romance se desenrola, reforça o potente projeto literário de Maia.


29. Diário da queda, de Michel Laub

Um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Quando adulto, um de seus colegas narra o episódio. A partir das motivações do que se revela mais que um acidente, cujas consequências se projetam em diversos fatos de sua vida nas décadas seguintes - a adolescência conturbada, uma mudança de cidade, um casamento em crise -, ele constrói uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda. Dessa reflexão fazem parte também as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. São três gerações, cuja história parece ser uma só; são lembranças que se juntam de maneira fragmentada, como numa lista em que os fatos carregam em si tanto inocência quanto brutalidade. Numa prosa que oscila entre violência, lirismo e ironia, com pausas para uma neutralidade quase documental na descrição de cheiros, gostos, sons, fatos e sentimentos, Diário da queda - livro selecionado pela Bolsa Funarte de Criação Literária - é uma viagem inusitada pela memória de um homem no momento em que ele precisa fazer a escolha que mudará sua vida.



30. Luzes de emergência se acenderão automaticamente, de Luísa Geisler

Luisa Geisler constrói em Luzes de emergência se acenderão automaticamente uma narrativa sutil, às vezes entremeada com um humor desconcertante, em outras com passagens cativantes. Ao compor esse mosaico, a autora desenvolve um romance surpreendente, emocional, sobre as incertezas do amadurecimento.


31. Trinta e poucos, de Antônio Prata

Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero -consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica. Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade. Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.


32. A extinção das abelhas, de Natália Borges Polesso

Segundo romance da ganhadora do prêmio Jabuti Natalia Borges Polesso, A extinção das abelhas é uma exploração profunda sobre a solidão. Uma história brutal sobre uma mulher, um gato e um mundo em colapso.


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