[RESENHA #565] Amazonas, abolicionistas e ativistas, de Mikki Kendall e A. D'amico

APRESENTAÇÃO

Esta graphic novel, da escritora, ativista e crítica cultural Mikki Kendall, é uma obra divertida e fascinante que apresenta as principais figuras e acontecimentos que promoveram os direitos das mulheres, desde a Antiguidade até a Era Moderna. Além disso, este interessante livro apresenta as proezas de mulheres notáveis ao longo da história de rainhas e combatentes da liberdade a guerreiras e espiãs , além de citar importantes passagens sobre os movimentos progressistas liderados por mulheres que moldaram a história, entre eles, abolição, sufrágio feminino, trabalho, direitos civis, libertação do grupo LGBTQ+, direitos reprodutivos e muito mais.

RESENHA

A obra amazonas, abolicionistas e ativistas é uma graphic novel (HQ) elaborada por Mikki Kendall com colaboração das ilustrações de A. D'amico, ambas ativistas políticas do universo e das causas feministas e representação midiática. A obra é um fomento necessário à literatura em prol da valorização do poder da mulher na conquista do direito e do feminismo como um movimento pela busca de direito em todas as esferas públicas e privadas, bem como suas iniciativas.

A abertura do livro é um resumo da necessidade real da informação e da publicação de obras como esta: informativas e necessárias. Um grupo de mulheres discute sobre os direitos obtidos pelas mulheres até aquele momento, porém, há uma divergência de ideias que ocorre por meio da ausência de informação. É comum, como na abertura desta obra, encontrar mulheres que não entendem a história das conquistas ou da necessidade de luta por direitos, algumas pessoas que acreditam que naqueles tempos existiam direitos e que a luta era uma causa perdida, outras, banalizam as conquistas se respaldando no fato de que existem muitos outros direitos à serem conquistados, então, porquê não exigi-los em uma única luta? Bom, um degrau de cada vez. A necessidade de se informar é uma mão de fácil e livre acesso nos dias de hoje, e obras como esta, nos fazem abrir nosso consciente para informação e para obtenção de novas respostas, fazendo-nos entender com clareza a real necessidade de ir à luta. É fácil dizer que foi fácil ou em vão quando não se participou de nenhum ato, e mais fácil ainda dizer que foram poucas as conquistas quando mesmo não fazendo nada, todas se beneficiam dos resultados. Conhecimento é a chave para que não se banalizem as lutas e conquistas obtidas.

A luta das mulheres pelos direitos é bastante extensa e histórica, e sua linha cronológica é fomento necessário de acesso à informação, tornando-se indispensável para a compressão da participação da mulher nas esferas públicas e privadas. A obra analisa as principais conquistas das mulheres por meio de uma série de quadrinhos lúdicos e assertivos, abordando tópicos como: os direitos na antiguidade, o poder das rainhas e da representação feminina, escravidão e liberdade, direito ao voto, marcha da igualdade, revolução sexual e feminismo em prática, ou seja, uma obra extensa e necessária.

A lista de direitos obtidos pelas mulheres é extensa, porém, a luta não pode parar, alguns dados históricos à serem mencionados:

1827 – Direito à educação básica
1879 – Direito à educação superior
1910 – Direito à representação política
1932 – Direito ao voto
1962 – Direito ao trabalho
1974 – Direito ao crédito
1977 – Direito ao divórcio
1979 – Direito de jogar futebol
1988 – Direito à igualdade
2002 – Direito à sexualidade
2006 – Direito de defesa
2015 – Direito de reparação



A primeira parte da obra esclarece-nos e nos traz a luz dos primeiros atos revolucionários das mulheres, intitulado direito das mulheres na antiguidade, afinal, faz-se necessário compreender a história pela raiz, para uma compreensão ainda mais genuína e completa acerca de todas as outras lutas que se sucederam. O trabalho da mulher durante os períodos fundamentais são explicados com clareza, um aspecto bastante marcante na obra é a intervenção de uma mulher que se manifesta inferindo que a participação das mulheres era doméstica, conferindo ao homem a tarefa árdua de caçar e prover, porém, as mulheres registravam em pinturas nas cavernas e nas mais variadas áreas o cotidiano, entre outras palavras, o trabalho delas era mais importante que o deles e tornou-se responsável pelas informações que temos atualmente acerca da participação feminina nas sociedades mais rudimentares da sociedade.

A obra é literalmente um ensino de história profunda, aqui, há uma personagem central responsável por explicar toda história dos direitos e das lutas das mulheres para uma série de alunas, todas com suas opiniões e conceitos formados por preconceitos e ausência de informação, porém, a cada ensinamento transmitido, nota-se que todo conhecimento previamente acreditado ser certo, cai por terra, dando entrada ao fomento educacional histórico, moldando e transformando as visões de cada mulher em particular, e este recurso é incrível, pois torna a tarefa de transmitir e ensinar valores e histórias por meio de uma ação pedagógica lúdica de amostra de história por meio de recursos educacionais, tornando a tarefa mais participativa com todos atentos e participando com suas dúvidas e comentários, o que também pode ser adotado por um professor ou até mesmo pelo leitor durante o procedimento de leitura.

Desde os tempos primórdios os homens foram dotados de participações públicas e direitos ilimitados, enquanto a mulher, ocupava um protagonismo secundário, tendo apenas como participação pública aquilo que lhe era inferido pela figura masculina regente, ou seja, o marido ou o pai. Essa limitação de participação é histórica e datada de períodos pré-históricos, e essa análise também é bastante explorada nesta Hq, mostrando-nos como se desenvolveram as sociedades e a vida da mulher no cotidiano. Algumas, obviamente, detinham algum direito, mas todas em áreas específicas da sociedade, não sendo estendidas à todas as outras mulheres, o que ocasionava em uma participação social menor e, consequentemente, menos relevante, uma vez que os direitos estavam nas mãos e no controle dos homens, entre outras palavras, desde a antiguidade o regime que imperava era o patriarcado. 

A obra também enaltece às figuras de mulheres importantes à frente das conquistas das mulheres dentro do feminismo de cada época, mulheres que correram para que todas as outras pudessem caminhar, mulheres que acreditaram que existiam muitos outros direitos e deveres aos quais as mulheres deveriam ter acesso na sociedade, mulheres que impuseram-se diante da opressão do patriarcado estabelecendo uma conexão com todos os outros períodos, para que assim, se tornasse possível e de acesso facilitado a possibilidade de recorrer em seus direitos e exigir participação pública. 

Em síntese, esta obra é um trabalho de desenvolvimento informativo e cultural notável, sua contribuição é o ponto de partida para futuras análises na luta das mulheres, afinal, ela não pode parar. Indicado para leitores apaixonados por hq, história, filosofia e todos os outros fomentos educacionais.

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