[RESENHA #583] O populismo reacionário, de Christian Lynch e Paulo Henrique Cassimiro


APRESENTAÇÃO

A Editora Contracorrente tem a satisfação de anunciar a publicação do livro O populismo reacionário: ascensão e legado do bolsonarismo, dos pesquisadores e professores Christian Lynch e Paulo Henrique Cassimiro.

Em análise aguda do contexto político nacional contemporâneo – sem, contudo, desconsiderar o cenário internacional –, a obra empreende uma verdadeira radiografia do populismo radical de direita do governo bolsonarista.

Este pode ser caracterizado por uma “ideia reacionária de restauração da ordem” anterior ao processo de redemocratização do país; pela presença massiva de militares na Administração; pela adesão ao negacionismo e a discursos baseados “na linguagem dos afetos ou nas paixões”; pela promoção de vantagens entre familiares; pela conversão de valores reacionários “em termos de políticas públicas”; e pela identificação do presidente Bolsonaro como representante autêntico do culto à família e às tradições do povo brasileiro.

Nesse contexto de inversões e delírios, o próprio Estado de Direito “é reduzido retoricamente pelo populista radical a um simples ardil, por meio do qual uma minoria – o establishment – burla ou viola a democracia em detrimento da vontade do povo, para perpetuar um sistema injusto, porque explorador ou corrompido”.

Nas contundentes palavras dos autores: “enquanto os senhores de engenho levantavam igrejas e protegeriam o povo, viris ‘bandeirantes’ chefiavam milícias de mestiços em expedições pelo sertão adentro para apresar indígenas e buscar riquezas naturais, extraindo da exuberante natureza o máximo que podiam, sem a presença incômoda de um Estado que, de resto, não existia. Daí a atração de Bolsonaro por tudo aquilo que a sociedade brasileira herdou de pior da colonização: o culto da morte e da violência, o autoritarismo, a exploração predatória da natureza, anti-intelectualismo, o personalismo, o patrimonialismo etc. Emissário da vontade providencial do povo, ele acreditava ter chegado ao poder para restaurar a velha e boa ordem, identificada imediatamente com o regime militar”.

RESENHA

Lynch, Christian O populismo reacionário : ascensão e legado do bolsonarismo / Christian Lynch & Paulo Henrique Cassimiro. -- São Paulo, SP : Editora Contracorrente, 2022.

Nesta obra, os autores realizaram uma análise do contexto político nacional sob a figura e modos de governo de Jair Messias Bolsonaro, levando em consideração também o cenário internacional, que se problematizou e encontrou-se limitado com as demandas do governo da extrema direita no Brasil, o que emprobeceu o cenário brasileiro e enfraqueceu as relações internacionais entre os países em solo nacional. O livro oferece uma radiografia completa do populismo radical de direita presente no governo bolsonarista e os reflexos advindos da tomada de decisões do ex-presidente da república e seus seguidores fieis, que travaram entraves poderosos contra a democracia, liberdade de expressão e dentre outros preceitos arraigados na ignorância e ausência de sensatez.

O populismo reacionário pode ser caracterizado pela busca de restaurar uma ordem anterior ao processo de redemocratização do país, pela presença maciça de militares na Administração, pela adesão ao negacionismo e à retórica baseada nas emoções, pela promoção de benefícios entre familiares, pela conversão de valores reacionários em políticas públicas e pela identificação do presidente Bolsonaro como um autêntico representante do culto à família e às tradições brasileiras, que fomenta uma exclusão de minorias e de outros grupos minoritários que se beneficiam de leis que ordenam o fomento histórico e cultural brasileiro, assim sendo,  o populismo tornou-se uma problemática latente que tornou-se um impedimento histórico durante os períodos de governança do presidente da extrema direita.

Nesse contexto de inversões democráticas,, o próprio Estado de Direito é reduzido retoricamente pelo populista radical a um simples ardil, utilizado pela minoria - o establishment - para burlar ou violar a democracia em detrimento da vontade do povo, a fim de perpetuar um sistema injusto que é considerado explorador ou corrompido. O sistema bolsonarista atacou a ordem social por meio do poder estadual, elevando assim, as taxas que problematizam a vida cotidiana e social no Brasil. O que se pode notar é a crescente onda de apoiadores da extrema direita, que arraigaram suas desculpas em trechos mal interpretados da constituição brasileira, bem como nos discursos repletos da ausência de ponderamento, sensatez e conhecimento de causa de seu representante, Jair Bolsonaro.

Conforme apontado pelos autores, "enquanto os senhores de engenho construíam igrejas e protegiam o povo, os 'bandeirantes' viris lideravam milícias de mestiços em expedições pelo sertão, capturando indígenas e buscando riquezas naturais, explorando ao máximo a exuberante natureza, sem a incômoda presença de um Estado que, aliás, não existia. É nessa herança colonial que reside a atração de Bolsonaro por elementos negativos, como o culto à morte e à violência, o autoritarismo, a exploração predatória da natureza, o anti-intelectualismo, o personalismo, o patrimonialismo, entre outros. Ele se considera o mensageiro da vontade providencial do povo e acredita ter chegado ao poder para restaurar a antiga e boa ordem, que é imediatamente identificada com o regime militar".

O populismo é a manifestação contemporânea daquilo que o historiador e cientista político francês Pierre Rosanvallon chama de “representação encarnação”:

Trata-se, para o populista, de fabricar uma imagem do povo representado como um corpo homogêneo e com uma vontade única, que só pode existir por meio de um único representante que sintetize seus valores.

A análise dos autores permeia-se em meio da crise democrática, que intensificou-se com o impacto da globalização e da crise econômica. Os debates acerca da agenda democrática à época eram problemáticos em todos os sentidos, se levamos em consideração à observância dos fatos durante o regime imposto pelo ex-presidente da república. A história não mente, o governo Bolsonaro instaurou o real sentido da mentira e da falácia por meio de seu pleito eleitoral, bem como suas nuances que trabalharam de forma contínua em desacreditar da eficácia das vacinas, das urnas eletrônicas, da identidade de gênero e de outros discursos corroborados com insensatez e ignorância já demonstradas pelo governo Bolsonaro.

Os autores usaram suas vozes para mostrar ao público leitor que houve, por muito tempo, a crença da desacretização popular em um sistema de melhora, pautado na irracionalidade de um governador, fomentado por um pleito eleitoral bem articulado e desenvolvido por seguidores fieis do ex-presidente. Uma obra prima que merece destaque e leitura por todos, para que nada volte à repetir-se.

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