[RESENHA #599] O vento sabe meu nome, de Isabel Allende

Uma história de violência, amor, desenraizamento e esperança.

APRESENTAÇÃO

Viena, 1938. Samuel Adler tem cinco anos quando seu pai desaparece durante a Noite dos Cristais - a noite em que sua família perde tudo. À medida que a segurança de seu filho se torna cada vez mais difícil de garantir, a mãe de Samuel consegue uma vaga para ele no trem Kindertransport, da Áustria nazista para a Inglaterra. Sozinho, o menino embarca levando apenas seu violino e o peso da solidão e da incerteza, que o acompanharão ao longo de sua vida.

Arizona, 2019. Oito décadas depois, Anita Díaz e sua mãe embarcam em um trem, fugindo dos perigos iminentes em El Salvador e em busca de refúgio nos Estados Unidos. Mas a chegada delas coincide com a nova política de separação familiar, e Anita, de sete anos, se vê sozinha em um acampamento para criancas refugiadas. Assustada, ela se refugia da realidade em um lugar que só ela conhece: Azabahar. Um mundo mágico. Enquanto isso, Selena Durán, uma jovem assistente social, e Frank Angileri, um advogado de sucesso, lutam para reunir a menina e sua mãe, e porporcionar um futuro melhor para ela.

Em O vento sabe meu nome, passado e presente se entrelaçam para contar o drama do desenraizamento, da compaixão e do amor. Um romance atual sobre os sacrifícios que os pais fazem pelos filhos, sobre a surpreendente capacidade de algumas crianças de sobreviver à violência sem parar de sonhar e sobre a tenacidade da esperança, que pode brilhar mesmo nos momentos mais sombrios. Uma história sobre as feridas profundas que a migração forçada produz e as pessoas que lutam para curá-las.

RESENHA

Escritora Chilena nascida no Peru, Allende surpreende com mais um enredo enriquecedor e dramático em o vento sabe meu nome (Bertrand Brasil), inspirado em acontecimentos verídicos de sua própria vida. Em entrevista para a Vogue, a autora declarou:

A inspiração para o vento sabe meu nome vem de um caso que tive através da minha Fundação: uma menina salvadorenha que perdeu a visão e se separou da mãe ao migrar para os Estados Unidos. Quando soube da história deles, comecei a investigar em que outros momentos da história eles separaram meninos e meninas de suas famílias.' Assim, seu romance trata de um assunto que, infelizmente, não é novo e que, no entanto, ainda não tem solução.

A síntese da obra não percorre de forma abstrata os acontecimentos trágicos descritos, mas procura elucidar os tópicos de separação familiar, e a busca da reunião dos membros por meio da busca incessante. A obra é um fomento à discussões acerca dos casos sem soluções que precisam urgentemente de uma atenção.

Este livro mergulha de forma profunda na dinâmica opressiva que está por trás do fenômeno da migração, convidando-nos a ter empatia com os personagens que lutam para reconstruir suas vidas após um evento traumático. A habilidosa escrita de Isabel Allende nos guia de forma cativante ao reconhecimento do trabalho árduo dos advogados que se dedicam a reparar o tecido social e nos permite desenvolver uma profunda empatia pelos personagens.

A história narra a vida de Samuel Adler, um garoto de cinco anos que acaba de se separar do seu pai durante a expropriação dos negócios e das residências judias durante a noite de cristais em 1938, no apogeu da segunda guerra mundial. A obra é um enredo sincero e tocante acerca do reencontro das famílias com as crianças durante um período difícil para a história do povo judeu.

Um livro para ler e se emocionar todos os dias e a todo momento, Isabel Allende usa suas nuances com as problemáticas, para enveredar um enredo único e mágico acerca das tragédias que acometeram as famílias durante a segunda guerra mundial. Uma obra primorosa.

A AUTORA

Isabel Allende é a autora de língua hispânica mais lida no mundo. Com livros publicados em mais de 40 idiomas, estreou na escrita em 1982, com A casa dos espíritos, título mítico da literatura latino-americana que obteve grande sucesso internacional. Em 2014, recebeu das mãos de Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais importante distinção civil dos Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, seria agraciada com o National Book Award pelo conjunto de sua obra.

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