[RESENHA #612] Guaporé, de Eurico Cabral

APRESENTAÇÃO

Em Guaporé, Eurico Cabral convida o leitor a uma imersão pela mataria sertaneja e suas estórias de vozes enredadas, entrelaçadas. Através de uma narração que flui em contínua alternância, aos poucos se desvelam as personagens que, de maneira ou de outra, rodeiam a trágica história de Tião e Luz, núcleo central do romance.

Tião é um retirante piauiense que, após uma infância subnutrida, chega ao sertão mato-grossense para trabalhar como vaqueiro. Sua família, ao ser enviada para tomar conta de uma estância isolada de tudo, o Retiro do Rio Verde, localizado entre a mata e o rio Guaporé, se torna cada vez mais desgostosa com a vida exilada; exceto por Luz, a filha mais nova. A esposa Zeferina e o filho Leovirson acabam por abandonar aquele fim de mundo e deixar sozinhos, junto às árvores e aos bichos, o pai e a filha, em sua relação terna, solidária e cúmplice, até que uma sucessão de desdobramentos moralmente complexos, trágicos e conflitantes põe fim à tranquilidade da vida familiar. A história do pai, Sebastião Nonato, e da filha, Leidiluz da Ora Nonato, no entanto, não é aquela que se esperaria de um romance trágico ― de fim doloroso, incontornável e, sobretudo, único. Em um emaranhado de sonhos, mistérios e visagens, apresentam-se duas versões possíveis e, ao mesmo tempo, impossíveis para a escolha do leitor.

Do Piauí às margens do rio Guaporé, a narrativa de Eurico Cabral se aprofunda nos dilemas de vidas marcadas pela pobreza, pela seca, pela escravização moderna e suas indissociáveis violências ― exploração, estupros, assassinatos, suicídios. Por mais que navegue por temas indigestos e pela brutalidade cotidiana e geográfica, a linguagem lírica de Guaporé também recorre aos mais belos encantamentos naturais, aliando-se a tradições literárias que dedicam tratamento reverencial à paisagem, à “naturaleza”, e a cada ser vivo que habita os rincões do país.

RESENHA


Guaporé é o novo romance ficcional do historiador e professor Eurico Cabral, a obra possui como panos de fundo os acontecimentos que cercam pai e filha a beira das afluentes do Rio Guaporé: Tião e Luz. O universo criado pelo autor permite uma aproximação experimental do leitor com o universo hibrido da escravização humana, da escassez de oportunidades e pela pobreza.

Tião é um piauiense que passou por dificuldades na infância e decide se mudar para o sertão mato-grossense em busca de trabalho como vaqueiro. Sua família, encarregada de cuidar de uma estância isolada chamada Retiro do Rio Verde, localizada entre a mata e o rio Guaporé, se sente cada vez mais infeliz com a vida no exílio, exceto por Luz, a filha mais nova. Zeferina, sua esposa, e Leovirson, seu filho, acabam abandonando o lugar remoto, deixando Tião e Luz sozinhos, cercados pela natureza e pelos animais. A relação entre pai e filha é afetuosa, solidária e cúmplice, até que uma série de eventos moralmente complexos, trágicos e conflitantes acaba com a tranquilidade da vida familiar. No entanto, a história de Sebastião Nonato e Leidiluz da Ora Nonato não é o típico romance trágico com um final doloroso, inevitável e único. Em meio a sonhos, mistérios e visões, são apresentadas duas versões possíveis e, ao mesmo tempo, impossíveis para o leitor escolher.

A obra de Eurico Cabral nos leva do Piauí até as margens do rio Guaporé, explorando os dilemas de vidas marcadas pela pobreza, pela seca e pela escravidão moderna, com todas as suas violências intrínsecas. Apesar de abordar temas difíceis e a brutalidade do cotidiano e do ambiente geográfico, a linguagem lírica de Guaporé também se entrelaça com os encantamentos naturais mais belos, em consonância com tradições literárias que reverenciam a paisagem, a natureza e todos os seres vivos que habitam os recantos do país.

O personagem principal, a contraponto, Tião, é um homem que sofreu com a desnutrição, fome e com a pobreza extrema. Após ter sido acolhido por um fazendeiro, sua vida tem a primeira virada.

Guaporé é uma história de dor e superação. A narrativa é um misto de histórias que somam entre si e fomentam diversas óticas de um mesmo acontecimento, o que permite ao leitor adentrar todo campo da narrativa sob diferentes óticas e perspectivas para uma maior compreensão acerca dos fatos. Tião e Luz, vivem as margens do rio Guaporé, pai e filha, que sofrem as dores e angústias do sofrimento e da pobreza extrema. A história é marcada por uma série de descrições doloridas sobre escravidão contemporânea, abuso sexual e suicídio, temáticas difíceis para alguns leitores, porém, repleta de vida e aprendizados.

O estopim da narrativa é acerca de um momento desconfortante entre pai e filha que tentam buscar uma vida nova em um novo local onde não se passa fome. Após o irmão ir embora para longe e a mãe abandonar o lar, Tião e Luz se veem apenas na companhia um do outro, sempre em uma relação de cumplicidade e afeto, que, por fim, acaba tendo um desfecho trágico e difícil de se encarar. A obra do autor Eurico Cabral é profunda em diversos sentidos, sobretudo, por sua capacidade de descrever e desenhar situações que se aproximam da realidade de um povo e de algumas famílias.

O livro e as descrições acerca do campo onde se desenrola a trama, bem como os protagonistas e as séries de acontecimentos acerca da relação entre ambos, é de fato, palpável. O autor consegue, digo, com maestria, desenvolver uma história cativante que prende o leitor até o último instante. Este é o segredo dessa obra: seu poder avassalador de conversar com a realidade e fomentar diálogos que se mostram cada vez mais capciosos e audaciosos. Certamente, um belíssimo livro para se ler em todos os momentos.

O AUTOR



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