[RESENHA #616] A ilha, de Adrian Mckinty

A ilha é um thriller de tirar o fôlego sobre uma família obrigada a encarar seus maiores medos ― e seus mais profundos segredos.

APRESENTAÇÃO

Depois de se mudar de uma cidade pequena para Seattle, a jovem Heather se casou com Tom Baxter, um médico recém-viúvo com um filho e uma filha adolescentes. A relação entre Heather e os jovens não é boa, por isso acompanhar Tom a um congresso na Austrália em uma espécie de férias em família parece a oportundiade perfeita para se aproximarem. No entanto, assim que chegam ao destino, tudo que os adolescentes exaustos e com jet lag querem é distância da madrasta. Então a família descobre a ilha Holandesa, um lugar fora da rota turística que parece uma verdadeira aventura, longe dos celulares e do Instagram. Por isso, Tom, Heather e os jovens logo arrumam um jeito de entrar na balsa que faz a travessia do continente até lá.

Mas, assim que colocam os pés na ilha, onde todos os moradores pertencem a uma mesma família, o clã O’Neill, parece que há algo de errado. E um terrível acidente faz a situação dos Baxter passar de um leve desconforto para um pesadelo indescritível. Heather e os adolescentes acabam se separando de Tom, sendo forçados a escapar sozinhos de perseguidores implacáveis. Agora, cabe a Heather garantir a própria segurança e a dos enteados, mesmo que eles não confiem nela, porque, nessa ilha inóspita, a família O’Neill não é o único perigo à espreita.

Por toda a sua vida, Heather foi subestimada, mas ela sabe que é a única capaz de manter a família unida e se tornar a mãe tão desesperadamente necessária àqueles jovens, mesmo que isso signifique fazer o impensável para mantê-los vivos.

RESENHA


Durante uma viagem de uma família americana para ver coalas e a vida selvagem australiana, eles se encontram em uma situação de vida ou morte após causarem um acidente de carro que resulta na morte de uma mulher inocente. Agora, a família está sendo perseguida pela família da vítima, que busca vingança. Enquanto tentam sobreviver aos elementos e se esconder, eles também precisam encontrar uma maneira de contatar a polícia para obter ajuda. Essa história emocionante é um thriller que explora temas como vida, morte e conexões com a natureza, enquanto a família luta para escapar das consequências de suas ações.

O roteiro criado por Mckinty trabalha as relações familiares conflituosas, aqui, Heather [padrasta e atual esposa de Tom] e Tom Baxter, com seus filhos, Olivia, 14, e, Owen, 12, partem para Austrália em uma viagem de negócios, porém, acabam se envolvendo em um acidente que acaba com a morte de uma mulher inocente.  A viagem que seria perfeita para estreitar os laços de Heather com os filhos de seu atual marido, acaba marcada por uma série de eventos trágicos e repletos de tensões ao serem perseguidos pela família da mulher morta, e ao que tudo indica, o mistério está apenas começando. A obra foi recebida com louvor pela crítica, inclusive, pelo autor premiado Stephen King, que declarou esta obra como implacável.

Os Baxters são uma família comum, lidando com os desafios típicos enfrentados por muitas outras famílias. Tom, um médico bem-sucedido, teve sua vida virada de cabeça para baixo quando perdeu sua esposa em um trágico acidente há pouco mais de um ano. Para surpresa de todos, Tom se casou novamente rapidamente, desta vez com Heather, uma massoterapeuta muito mais jovem. Embora Heather pareça amar Tom, ela também carrega preocupações sobre sua origem humilde, que estava prestes a perder seu emprego antes de Tom entrar em sua vida. Os dois filhos de Tom, Olivia e Owen, estão enfrentando dificuldades para se ajustar à nova figura materna que seu pai trouxe repentinamente para suas vidas. Essa dinâmica familiar complexa reflete as tensões e os desafios enfrentados por muitas famílias modernas.

O roteiro acertou em cheio no gatilho na abertura repleta de previsibilidade, porém, cunhou um caminho nada incerto ou previsível na sucessão de acontecimentos. Os baxters decidem tirar um tempo para família em uma ilha onde habitam reclusos que não gostam de forasteiros, só ai, teme-se o pior e isso torna-se um pouco previsível, porém, o autor trabalhou de forma magistral no desenvolvimento de uma narrativa completamente envolvente, cativante e repleta de mistérios. Então, tomamos como ponto de partida a questão: você contaria sobre a morte de alguém que você cometeu sem querer? Talvez você responda sim, mas ao analisar os fatos e os arredores, a resposta provavelmente seria não.

A obra é, se não o melhor, um dos melhores roteiros já escritos na atualidade. Mckinty brinca com o emocional e com a previsibilidade dos fatos para angariar do leitor uma reação inesperada. Um livro inesquecível em uma leitura completamente complexa e repleta de reviravoltas.

O AUTOR

Adrian McKinty nasceu e cresceu em Belfast, na Irlanda do Norte. Estudou filosofia na Universidade de Oxford antes de se mudar para Nova York em meados dos anos 1990. Seu livro de estreia, Dead I Well May Be, publicado em 2003, foi finalista do Gold Dagger Award e do Edgar Award. Em 2011, depois de se mudar para a Austrália com a esposa e as filhas, McKinty começou a publicar a série Sean Duffy, aclamada pela crítica. Em 2019, depois de virar motorista de Uber e quase desistir da carreira de escritor, publicou o premiado best-seller internacional A corrente, que figurou em quase trinta listas de melhores livros do ano, incluindo a da Time, e foi publicado no Brasil pela Editora Record. Os livros de McKinty foram traduzidos para mais de trinta idiomas e ele ganhou o Edgar Award, o International Thriller Writers Award, o Ned Kelly Award (três vezes), o Anthony Award, o Barry Award, o Macavity Award e o Theakston’s Old Peculier Crime Novel of the Year Award.

Nenhum comentário

Postar um comentário

© all rights reserved
made with by templateszoo