[RESENHA #690] A casa de praia: uma história sobre empatia, de Sandra Saruê

Arte digital / Editora Melhoramentos / todos os direitos reservados


APRESENTAÇÃO

A Casa de Praia é uma narrativa sobre amizade e perdão na qual cinco adolescentes são levados a confrontar seus preconceitos e a expor suas próprias dificuldades e medos.

Mariana e seus amigos vão para a casa da praia dos pais dela para comemorar seu aniversário de 15 anos. O que eles não imaginavam é que passariam um final de semana diferente: a chuva faz com que fiquem confinados em casa, sem luz, sem TV nem celular.

Com pouca diversão disponível e algum suspense, muitas revelações traçam definitivamente o rumo da amizade do grupo. Juntos eles descobrem que a empatia é a chave para todos os relacionamentos.

RESENHA

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193 resenhas depois, cá estou eu, experimentando a genialidade da escrita de uma escritora paulista contemporânea apaixonada pela transformação por meio das palavras, novamente. A primeira vez que tive contato com a escrita da autora foi através do livro “Campos de Morangos: Uma História sobre Exploração Humana”, que se mantém até os dias atuais no top 10 das matérias mais lidas do site. E não é por pouco, a escrita de Sandra Saruê é mágica e completamente envolvente. “A Casa de Praia” é um livro de ficção escrito pela autora paulista Sandra Saruê, publicado originalmente pela Editora Melhoramentos. A obra possui como foco, como o próprio título menciona, a empatia.

Vale ressaltar que este livro foi lido gratuitamente no formato digital pelo aplicativo BibliON, uma iniciativa do governo de São Paulo ao fomento da literatura acessível. 

A obra se inicia em primeira pessoa na figura de uma garota chamada Marina. Já de início ela nos dá algumas informações que serão cruciais para o desenvolvimento da história: a vida dela era, até certo ponto, monótona, ela fazia aulas de muay thai, estudava e assistia série sempre que possível, e no intervalo saia para o shopping com seus amigos Waltinho e Gabriel, porém, também menciona uma desavença no passado com outros dois amigos Isadora e Alan, com quem a amizade só se deu depois de muitos anos e problemas a serem resolvidos.

[...] e só depois de um tempo, quase no fim do primeiro ano do Ensino Médio, a gente acabou se tornando amigo, não sem antes ter tido muitos problemas. (gifos meus).

Isadora e Alan não se dão bem com Waltinho e Gabriel, então, Marina sempre precisa sair com uns e outros em dias diferentes para que o clima não se torne pesado pela desamizade que rola entre as duplas. A protagonista também cita os episódios de bullying sofridos por Isadora e Alan, que pegavam no seu pé devido ao seu cabelo longo e cacheado e sua preferência por lutas, apelidando-a de Hulk, Rambo, dentre outros episódios de raiva e ódio gratuito, ainda que de forma velada.

Com o aniversário de Maria chegando, sua mãe pensa em organizar uma festa de quinze anos, porém, não sem antes um acordo. A mãe poderia fazer a festa contanto que ela aceitasse que ela e os amigos fossem passar o final de semana de seu aniversário na casa de praia da família, sob os cuidados de Juan, o caseiro. Em meio a conversas veladas entre os amigos, ela tem a intenção de conciliar uma forma de todos aceitarem a viagem em conjunto, sem sucesso.

O dia da viagem chegou e o caminho foi marcado por fortes chuvas, o que ocasionou uma falta de energia na casa de praia. Todos foram recebidos por Juan, o caseiro boliviano que trabalhava para a mãe de Marina. Todos se desesperaram ao não possuir sinal de celular ou energia para carregar o celular. A notícia de que talvez a energia demorasse a voltar desanimou ainda mais o grupo, que ficou incomunicável com o mundo exterior.

Os dias na casa de praia passam rapidamente e sem muita movimentação. Os cinco amigos se viram como podem, comendo diferentes tipos de preparo de macarrão que haviam levado. Todos os dias eles se reuniam para fazer algo em conjunto, uma vez que ainda faltava energia em todos os cômodos e a chuva não dava trégua, o que impossibilitava nadar na piscina. Todos decidem escolher um jogo para se distrair, a escolha? Jogo da Verdade. A partir deste ponto, todos começam a sondar a vida uns dos outros por meio de perguntas direcionadas ao passado: por que você tem medo de doença? O que você preferiria, o bullying para o resto da vida ou uma doença? Todas as respostas são carregadas de emoções, e assim, eles puderam conhecer a realidade um do outro. A partir deste ponto, a narrativa ganha ainda mais forma e todos que encontravam no outro uma divergência começam a sorrir, brincar e reconhecer os próprios erros do passado, bem como o ódio infundado que sentiam uns pelos outros. A partir deste ponto, nasce uma linha de amizade entre os cinco, que conseguem acabar com toda aquela rivalidade infantil.

Uma obra para ser lida diariamente e repassada a todos os jovens do mundo. Mágico e atemporal.

A AUTORA

Sandra Saruê nasceu em São Paulo, capital, no dia 08 de outubro de 1968. Um ano revolucionário, como ela se orgulha de dizer. Publicitária formada e atriz (quase formada), teve que abandonar o curso de artes cênicas, incentivada pelos professores que abominavam sua atuação como atriz, mas apreciavam muito os textos que criava para as peças. Não interprete, apenas escreva! Diziam os professores. E foi o que ela fez: começou a escrever, escrever, escrever… e nunca mais parou. Atualmente escreve livros para adultos, crianças e adolescentes. Tem se dedicado também ao assunto “cultura para a paz, tolerância e respeito às diferenças”. Mora com o marido e dois filhos adolescentes em São Paulo e adora visitar escolas, conversar e conhecer pessoalmente seus leitores.


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