[RESENHA #710] Gente pobre, de Dostoiévski


Gente Pobre marca a estreia de Dostoiévski na literatura, em 1846, e estabelece desde logo os fundamentos para uma abordagem social, psicológica e profundamente corrosiva da compreensão humana. A análise pormenorizada das personagens e suas convicções, enquadradas por um pano de fundo de crítica subtil, ganha em Dostoiévski uma força e um poder imagéticos que extravasam as páginas dos seus livros. Em «Gente Pobre», o autor transporta-nos para um dos bairros mais miseráveis de São Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade troca correspondência com uma jovem costureira. Demasiado pobres para se casarem, o seu amor passa todo e apenas por cartas mantidas ao longo do tempo, que refletem a cruel realidade do dia a dia passado num ambiente de extrema precariedade.

RESENHA


O primeiro romance de Fyodor Dostoiévski, Gente Pobre, foi escrito em nove meses entre 1844 e 1845, quando o autor enfrentava problemas financeiros por causa de seu estilo de vida dispendioso e seu vício em jogos. Ele tentou ganhar dinheiro com algumas traduções de romances estrangeiros, mas não teve sucesso, e resolveu escrever seu próprio romance.

Gente Pobre é um romance epistolar, que narra a vida de dois primos pobres, Makar Devushkin e Varvara Dobroselova, que trocam cartas sobre suas condições miseráveis. O romance retrata a realidade das pessoas pobres, sua relação com as pessoas ricas e a pobreza em geral, temas típicos do naturalismo literário. Os dois primos desenvolvem uma amizade profunda, mas estranha, que é abalada quando Dobroselova se interessa por um viúvo rico, Sr. Bykov, que a pede em casamento. Devushkin, um escriturário sentimental, é um dos primeiros exemplos desse tipo de personagem na literatura naturalista. Dobroselova, por outro lado, se afasta da literatura e da comunicação com Devushkin, escolhendo uma vida mais prática.

Varvara Dobroselova e Makar Devushkin são primos de segundo grau afastados duas vezes e vivem em apartamentos precários na mesma rua, um de frente para o outro. O apartamento de Devushkin é uma parte da cozinha dividida com outros inquilinos, como os Gorshkov, cujo filho sofre de fome durante quase todo o romance. Devushkin e Dobroselova se escrevem cartas contando suas dificuldades e Devushkin frequentemente gasta seu dinheiro em presentes para ela.

Gente Pobre é um romance que retrata a vida dos pobres e a sua relação com os ricos, temas frequentes do naturalismo literário. O romance é inspirado em obras como O sobretudo de Nikolai Gogol, O chefe da estação de Alexander Pushkin e Cartas de Abelardo e Heloísa de Peter Abelard e Héloïse d’Argenteuil. O romance é formado por cartas trocadas entre Varvara e seu amigo Makar Devushkin, dois primos pobres que vivem em condições miseráveis. O título e a personagem principal são uma referência a Poor Liza, de Nikolai Karamzin. O romance também apresenta elementos típicos de um romance de classe média, como as origens dos protagonistas e o final trágico.

Gente Pobre é um romance emocionante e comovente, que nos mostra a realidade da pobreza e a força da amizade. Dostoiévski nos faz sentir a dor e a esperança dos personagens, que tentam encontrar algum consolo na literatura e na comunicação. O romance é uma obra de arte que revela o talento e a sensibilidade de Dostoiévski, que escreveu o livro em apenas nove meses. Gente Pobre é um romance que vale a pena ler e apreciar.

O AUTOR

Fiódor Dostoiévski (1821-1881) foi um escritor russo autor de Os Irmãos Karamázov e Crime e Castigo, obras-primas da literatura universal. Seus romances abordam questões existenciais e temas ligados à humilhação, culpa, suicídio, loucura e estados patológicos do ser humano.

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