[RESENHA #762] Triângulo das águas, de Caio Fernando Abreu


"Triângulo das águas", publicado originalmente em 1983 e há anos fora de catálogo, é um dos melhores livros de Caio Fernando Abreu (1948-1996). Reconhecido com o Prêmio Jabuti – a naior honraria literária brasileira –, Triângulo é também um título exemplar do ponto de vista do estilo do autor: nas linhas das novelas que o compõem – "Dodecaedro", "O marinheiro" e "Pela noite" – encontram-se cristalizadas algumas constantes na obra de Caio. A alma perdida em busca de alguma coisa (às vezes afeto), a verborragia e as referências que, longe de afetadas, exalam sinceridadee aproximam os leitores, a vida sob o signo da madrugada, as boas-vindas aos mistérios da existência, concretizados, neste livro, pela presença da astrologia (inclusive no título), e o tom confessional-desesperado.

RESENHA

Triângulo das águas é um livro de Caio Fernando Abreu, escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro, considerado um dos expoentes da literatura brasileira dos anos 80. Publicado originalmente em 1983, o livro reúne três novelas que têm como elemento comum a água, simbolizando as emoções, as transformações e as memórias dos personagens. As novelas são: Dodecaedro, O marinheiro e Pela noite.

Dodecaedro narra a história de um homem que, após uma decepção amorosa, se isola em um apartamento e passa a receber cartas misteriosas de uma mulher que diz ser sua amante. A cada carta, ele recebe um fragmento de um dodecaedro, um sólido geométrico de doze faces, que representa o universo e a complexidade humana. A narrativa é marcada pela angústia, pela solidão e pelo erotismo, em um clima de suspense e mistério.

O marinheiro conta a trajetória de um jovem que embarca em um navio rumo à Europa, em busca de aventura e liberdade. No entanto, ele se depara com uma realidade hostil e violenta, que o faz questionar seus sonhos e sua identidade. O mar é o cenário e o símbolo da viagem existencial do protagonista, que enfrenta o medo, a morte e o amor.

Pela noite é a novela mais autobiográfica do livro, na qual o autor relata suas experiências durante o exílio na Europa, nos anos 70, fugindo da ditadura militar brasileira. O narrador é um escritor que vive em Paris, mas que sente saudades de sua terra natal e de seu passado. A noite é o tempo e o espaço da nostalgia, da reflexão e da criação, em que o narrador se comunica com seus fantasmas e seus desejos.

O estilo de Caio Fernando Abreu é caracterizado pela economia de palavras, pela fluência e pela musicalidade. O autor utiliza recursos como a metáfora, a aliteração, a repetição e a intertextualidade, criando textos densos e poéticos. Além disso, o autor explora temas como a homossexualidade, a marginalidade, a violência, a política e a espiritualidade, retratando a sociedade e a cultura de sua época.

Algumas citações marcantes do livro são:

  • "A vida é um dodecaedro, pensei. Doze faces, doze vértices, trinta arestas. E cada face é um mistério." (Dodecaedro)
  • "O mar é o meu lugar. O mar é o meu destino. O mar é o meu amor." (O marinheiro)
  • "Pela noite, eu me lembro. Pela noite, eu escrevo. Pela noite, eu existo." (Pela noite)

Triângulo das águas é uma obra que revela a sensibilidade, a criatividade e a originalidade de Caio Fernando Abreu, um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea. O livro é uma leitura envolvente, emocionante e instigante, que convida o leitor a mergulhar nas águas profundas da alma humana.

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