[RESENHA #951] Amores nos tempos de covid, de Ronald Eucário Villela


Paulo, um homem entrado nos 70 anos, viúvo, que, no início da pandemia, vai a sua academia de ginástica e a encontra fechada, sendo informado que a aula se fará online. Ele lamenta, sobretudo porque havia conhecido uma mulher na academia, pela qual se encantara.

Chegando a casa, foi fazer a aula na varanda. Ao começar, verifica que, na varanda de um apartamento atrás do seu prédio, uma mulher fazia os mesmos movimentos de ginástica. Firma o olhar e a reconhece como a mulher pela qual havia se interessado na academia.

Ela, também, o reconhece e se cumprimentam. Assim, o romance se desenrola, durante a pandemia. Intercalado por relações familiares intensas, uma delas, pelo fato de que seu filho, Cláudio, namoraria uma mulher que, anteriormente, fora sua namorada, e que lhe causara grande incômodo, em razão de um ciúme doentio por parte dela, que desbordava para a insanidade. O filho é desconhecedor do fato, e, o pai, Paulo, angustiado com a situação, deseja contar-lhe. A Partir disso, a trama familiar se desenrola em interessantíssimos acontecimentos inusitados.

RESENHA

Amores nos tempos de COVID é um romance do advogado e professor da UFF Ronald Eucário Villela, que marca sua estreia como escritor. O livro conta a história de um viúvo septuagenário, que vive sozinho durante a pandemia do coronavírus, e que se dedica à leitura, à reflexão sobre sua vida e às lembranças de seus amores passados. O autor explora as emoções e os sentimentos do protagonista, que enfrenta a solidão, a saudade, o medo e a esperança em meio à crise sanitária e social que assola o mundo. A obra é uma homenagem à literatura, à cultura e à memória, e também uma reflexão sobre o valor do amor em tempos de adversidade. Amores nos tempos de COVID é um livro sensível, poético e atual, que convida o leitor a se identificar com o personagem e a compartilhar de suas dores e alegrias.

A obra retrata a vida de Paulo, um homem que conheceu sua paixão por uma mulher durante as aulas de ginástica em uma academia. Com o advento da covid, a academia se fecha e ele se vê obrigado a participar das aulas online. Esse acontecimento abala seu emocional, que estava entregue à paixão pela mulher misteriosa. Ao retornar para casa, Paulo encontra pela janela de sua casa a visão de uma mulher que treina movimentos semelhantes aos da aula. Não havia dúvida, era ela, Eliane. A narrativa então se desenvolve com uma trama bastante tensa entre as famílias e o ciúme de uma ex-namorada, que agora namora Cláudio, filho de Paulo, que desconhece tal acontecimento. Paulo então começa a viver reflexões sobre sua paixão e seu ex-amor pela atual namorada do filho.

A história também narra a morte de uma ex-namorada, Bianca, ao qual combinam de se encontrar no próximo verão, porém, ela acaba falecendo antes do encontro. Bianca pretendia reaver seu amor após ficar viúva, porém, o destino não permitiu tal encontro, então, em várias partes da narrativa ele relembra o quanto ela era especial e bela. Ele conhece Regina, uma morena alta com quem ele realiza um city tour em Manaus e entram em desavença por causa de um prato, dentre outros acontecimentos que poderiam facilmente serem descartados. 

A obra é repleta de descrições desnecessárias e lembranças que deixam o enredo confuso entre o tempo verbal ao qual é apresentado. O foco em si no romance se torna secundário, o autor revela uma característica intrínseca em seu personagem Paulo: a dúvida. Ele relembra diversas mulheres diferentes e os encontros casuais com cada uma delas, desta forma, o romance se torna apenas parte de uma rede de mulheres da vida boêmia levada pelo personagem. Há diversas tensões na obra que a tornam interessante e prendem em determinado momento, mas ela também se perde em meio suas descrições e narrativas que tornam confusas e pouco convidativas.

A ideia é interessantíssima, porém, foi elaborada com muitas descrições e acontecimentos paralelos. Seria muito mais interessante recortar o enredo entre capítulos para identificação do tempo dos acontecimentos, desenvolver e elencar personagens no tempo adequado e tornar o livro um pouco mais curto, levando em consideração a quantidade de acontecimentos e as descrições demasiadamente longas e exageradas. Como: 

Ela era linda! Tinha, na época, 17 anos, uma pele rosada, os cabelos bem negros, dentes perfeitos. Olhos verdes, sutis e penetrantes, uma voz límpida e suave, um sorriso franco e acolhedor, um belo corpo, com movimentos graciosos [...]

Enfim, é um livro interessante, mas não mais do que os que estão disponíveis na mesma temática no mercado. O romance secundário e os problemas familiares são bem construídos, porém, requerem um destacamento maior na narrativa, bem como o desenvolvimento de capítulos mais sucintos.

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