[RESENHA #998] Fascismo eterno, de Umberto Eco


Publicado pela primeira vez em 1997, no livro Cinco escritos morais, esta nova edição chega aos leitores em um momento de ascensão mundial do flerte com o fascismo ― que, como denuncia Eco, longe de ser apenas um momento histórico vivo na Itália, na Europa (e no Brasil) do século XX, é uma ameaça constante à nossa sociedade. Esta reflexão, importante e necessária, ensina a pensar sobre o sentido da história e a importância da memória.

"O Ur-fascismo, ou fascismo eterno, ainda está ao nosso redor, às vezes em trajes civis. Seria muito confortável para nós se alguém surgisse na boca de cena do mundo para dizer: 'Quero reabrir Auschwitz, quero que os camisas-negras desfilem outra vez pelas praças italianas!'. Infelizmente, a vida não é tão fácil assim! O Ur-fascismo pode voltar sob vestes mais inocentes. Nosso dever é desmascará-lo e apontar o dedo para cada uma de suas novas formas - a cada dia, em cada lugar do mundo." - Umberto EcoFascismo Eterno é um livro escrito por Umberto Eco, renomado intelectual italiano, que retrata de forma brilhante os aspectos históricos, sociais, políticos, geográficos e antropológicos relacionados ao fenômeno do fascismo. Publicado originalmente em 1995, esse ensaio provocativo é uma análise profunda e perspicaz sobre o fascismo e suas vertentes. 

RESENHA

O enredo do livro gira em torno da ideia de que o fascismo não é apenas uma memória distante e um episódio isolado da história, mas sim uma ideologia intrinsecamente ligada aos aspectos humanos. Eco explora diferentes períodos históricos e exemplos emblemáticos de regimes fascistas, como o fascismo italiano de Mussolini e o nazismo de Hitler, para demonstrar como o fascismo pode se manifestar de diferentes formas em diferentes contextos.

Os personagens principais dessa obra são os próprios regimes fascistas e suas lideranças. Eco analisa detalhadamente suas características, simbologia e manipulação de massa, destacando a importância da propaganda e do culto à personalidade na manutenção do poder.

A simbologia é um dos aspectos mais marcantes do livro. Eco discute amplamente o uso de símbolos e ícones nas ideologias fascistas, como a suástica nazista e a águia romana, e como esses símbolos podem ser usados como ferramentas de manipulação.

A mensagem principal que Eco busca transmitir em Fascismo Eterno é que o fascismo não é um evento isolado e distante, mas uma ameaça constante que pode surgir novamente a qualquer momento, especialmente em ambientes de crise política e social. Ele argumenta que é necessário estar constantemente vigilante para evitar a recorrência de ideologias totalitárias e autoritárias.

Umberto Eco nasceu em 1932, na cidade de Alessandria, na Itália. Além de escritor, foi professor universitário, filósofo, linguista e semioticista. Ele se destacou pela sua vasta obra literária, que mescla ficção e ensaios, e por sua análise afiada sobre fenômenos sociais e culturais.

Comparando Fascismo Eterno com outras obras de Eco, podemos perceber uma abordagem semelhante em relação à análise profunda de temas complexos. Em obras como "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault", Eco utiliza o suspense e a trama fictícia para explorar questões filosóficas e históricas.

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